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Fórum discute como integração entre pesquisa e extensão pode beneficiar a agricultura

O Fórum Interface Pesquisa e Extensão, realizado nessa terça-feira, 9 de abril, na sede da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), em Belo Horizonte, reuniu 14 instituições públicas e da sociedade civil para discutirem a integração entre o conhecimento científico e a assistência técnica e seus benefícios para o produtor rural


Publicado em: 11/04/2013 às 18:40hs

Fórum discute como integração entre pesquisa e extensão pode beneficiar a agricultura

“Esta é uma oportunidade ímpar de fixar e intensificar a proximidade entre pesquisa e extensão e levar os resultados ao produtor, nosso objetivo maior. E se o produtor não pode vir aqui, nós iremos até ele. Este é um objetivo nosso e tenho certeza de que também é objetivo da Emater-MG, do Ima e da Ruralminas, pois esse trabalho em rede é uma diretriz do Governo de Minas”, afirmou o presidente da EPAMIG Marcelo Lana Franco.

O Fórum foi promovido pela EPAMIG em parceria com a Emater – MG com o objetivo de incentivar o diálogo entre pesquisadores, extensionistas e produtores rurais sobre os gargalos e as oportunidades na transferência de tecnologia. “A interação entre pesquisa e extensão acontece de maneira muito forte e clara no campo e o que pretendemos é formalizar esta parceria. Nós vemos com muito bons olhos essa relação, que sempre aconteceu, mas que está, hoje, potencializada”, destacou o presidente da Emater-MG, José Ricardo Ramos Roseno.

A proposta de integração entre pesquisa e extensão tem o apoio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). “Nós buscamos o trabalho conjunto entre os órgãos. EPAMIG, Emater-MG, Ima e Ruralminas integram o Sistema Operacional da Agricultura em Minas e são fundamentais no apoio ao produtor rural e, principalmente, à agricultura familiar”, disse o secretário Elmiro Nascimento. E completou: “Nós estamos conseguindo galgar nossas metas com a interação de todas as secretarias e  órgãos do Governo. Essa integração está impulsionando Minas e colocando nosso estado como um dos grandes celeiros do Brasil”. Integrante da organização do evento, o subsecretário da Agricultura Familiar da Seapa, Edmar Gadelha, manifestou o objetivo de tornar este um fórum de discussão permanente para o fortalecimento agricultura no Estado. “As tecnologias produzidas por órgãos públicos devem ser compartilhadas socialmente. Esta é a nossa função”, afirmou.

Discussões

O Fórum foi norteado por dois painéis de discussão. No primeiro, “Diálogo entre pesquisadores, extensionistas e agricultores”, palestraram o subsecretário de Agricultura Familiar da Seapa, Edmar Gadelha, o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), Vilson Luiz da Silva, e o pesquisador da EPAMIG Djalma Pelegrini, que enfatizaram a necessidade do fortalecimento das atividades de pesquisa e extensão voltadas para o pequeno produtor rural e para a agroecologia. “A agricultura familiar no Brasil é responsável pela produção de 70% dos produtos da cesta básica”, informou Vilson Luiz.

Djalma Pelegrini apresentou diagnósticos sobre fruticultura, cafeicultura e produção rural realizados pela EPAMIG nas regiões Sul e Campos das Vertentes e destacou que os resultados variam de acordo com as características regionais, climáticas e mercadológicas. “A oscilação de preços é um dos grandes entraves, principalmente, para os horticultores devido aos desequilíbrios entre oferta e demanda. Atualmente há uma alta no preço do tomate, estimulada por condições climáticas, que em poucos meses pode ser revertida. É preciso que os pequenos produtores se organizem, em cooperativas e associações para estarem mais preparados diante dessas variações”, afirmou o pesquisador.

No segundo painel, “Pesquisa e Extensão: Procedimentos e Métodos”, a chefe da Divisão de Transferência Tecnológica da EPAMIG, Juliana Simões, falou sobre a transferência e a difusão de tecnologias à extensão e aos produtores rurais e destacou que essas acontecem de várias maneiras, por meio de dias de campo, palestras e visitas técnicas, reuniões, publicações, simpósios, seminários, entre outros. ”Muitas das ações de transferência da EPAMIG são demandadas pela Emater-MG ou são realizadas em parceria com a empresa de extensão. Um bom exemplo são os treinamentos do Programa Minas Leite. No ano passado, 300 profissionais na Emater foram treinados em Unidades da EPAMIG”, informou Juliana. O gerente do Departamento Técnico da Emater-MG, José Aloizio Nery, palestrou sobre “Assistência Técnica e Difusão de Tecnologias” e defendeu que pesquisa e extensão devem manter “um diálogo de saberes, promovendo uma constante troca de experiências. O Projeto de Adequação Socioeconômica e Ambiental de Propriedades Rurais, que utiliza a metodologia Indicadores de Sustentabilidade em Agroecossistemas (ISA), de autoria do pesquisador da EPAMIG José Mário Lobo Ferreira, do  presidente da Emater-MG, José Ricardo Ramos Roseno e de Maurício Roberto Fernandes (Emater-MG) e gerência do secretário-adjunto da Seapa, Paulo Romano, é um exemplo disso”, completou.   

O assessor-adjunto de Planejamento e Gestão da Fapemig, Cláudio Furtado, falou sobre “Pesquisa Aplicada” e sobre as necessidades de se investir em produção científica e em inovação tecnológica. “No mercado competitivo, ou você é líder dominando o processo de produção e comercialização ou você é diferente, produzindo artigos com características especiais e inovadoras”. Maria Clara Cruz, representante da Coordenação de Métodos e Análises da Embrapa Transferência de Tecnologias, falou sobre o funcionamento do setor naquela Empresa.

Durante os encaminhamentos finais foram propostas a constituição de um fórum permanente e um grupo de discussão da interface entre pesquisa e extensão coordenados por EPAMIG, Emater-MG, Fetaemg e Seapa e a criação de um marco referencial de pesquisa e extensão com foco no desenvolvimento rural sustentável. “As propostas deste evento serão documentadas e repassadas a um grupo de trabalho com representantes das instituições participantes a fim de nortear novas ações”, informa Juliana Simões.