Publicado em: 27/02/2025 às 12:00hs
A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) está intensificando as orientações aos produtores de milho sobre a importância da adoção de medidas fitossanitárias ao longo de todo o ciclo produtivo. Com a aproximação do período de entressafra e da semeadura da segunda safra, a ênfase está na prevenção da cigarrinha do milho (Dalbulus maidis), vetor dos enfezamentos da cultura, pragas que podem gerar perdas significativas para a produção estadual e nacional.
O presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, destaca a relevância das ações de educação sanitária conduzidas em parceria com o setor produtivo. “Temos reforçado a conscientização dos produtores para que implementem estratégias eficazes no controle da cigarrinha e na prevenção dos enfezamentos. Como terceiro maior produtor nacional de milho, Goiás precisa manter a atenção ao manejo integrado de pragas e ao cumprimento das medidas fitossanitárias”, ressalta.
Conforme levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a previsão para a safra 2024/2025 em Goiás é de 12,7 milhões de toneladas, um crescimento de 12,7% em relação à safra anterior. A área plantada também deve aumentar, passando de 1,74 milhão para 1,88 milhão de hectares, o que representa uma expansão de 8,1%.
A cigarrinha do milho transmite bactérias da classe dos moliculites, incluindo o espiroplasma (Spiroplasma kunkelli), que causa o enfezamento pálido, e o fitoplasma (Maize bushy stunt phytoplasma), responsável pelo enfezamento vermelho. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), os enfezamentos estão entre as pragas mais preocupantes das últimas safras, podendo causar perdas de até 100%, dependendo da época de infecção e da suscetibilidade da cultivar plantada.
A gerente de Sanidade Vegetal da Agrodefesa, Daniela Rézio, reforça a necessidade de monitoramento constante ao longo da safra. “Nenhuma medida isolada é capaz de controlar a cigarrinha do milho e os enfezamentos. No entanto, a adoção simultânea de várias estratégias de prevenção pode reduzir significativamente os riscos”, alerta.
Nesse contexto, a Agrodefesa tem promovido campanhas educativas em parceria com instituições de pesquisa e entidades do setor, com destaque para a iniciativa “Milho Tiguera Zero”, idealizada pela pesquisadora Jurema Rattes. A campanha visa conscientizar os produtores sobre a necessidade de eliminar plantas voluntárias que podem servir de hospedeiras para a cigarrinha do milho.
O coordenador do Programa de Grandes Culturas da Agrodefesa, Mário Sérgio de Oliveira, enfatiza o papel da tiguera do milho na propagação da praga. “As populações de cigarrinhas se concentram nessas plântulas para abrigo, alimentação e postura. Quando uma cigarrinha infectada circula entre essas plantas, ocorre transmissão generalizada dos patógenos. Por isso, é fundamental eliminar o milho voluntário fora do período de safra”, explica.
A Agrodefesa tem reforçado a capacitação de fiscais agropecuários e distribuído materiais informativos aos produtores sobre boas práticas para o manejo da cigarrinha e dos enfezamentos. Entre as diretrizes recomendadas pela Embrapa e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária estão:
Entressafra:
Semeadura:
Cultivo:
Pós-colheita:
Para ampliar o acesso à informação, a Agrodefesa lançou o Guia de Pragas e Doenças sobre os Enfezamentos do Milho. O material apresenta informações detalhadas sobre os vetores, sintomas, transmissão e estratégias de manejo, sendo um recurso essencial para produtores, técnicos e estudantes interessados na sanidade da cultura do milho.
Fonte: Portal do Agronegócio
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