Publicado em: 26/03/2025 às 13:30hs
Entre o final de março e o início de abril de 2025, o projeto de edição gênica da Associação Brasileira de Angus e Ultrablack, em parceria com a Embrapa Gado de Leite, registrará o nascimento de seus primeiros animais. Serão cinco exemplares, originados de reprodutoras previamente selecionadas, cujas gestações estão sendo acompanhadas pela unidade da Embrapa em Juiz de Fora, Minas Gerais. O principal objetivo da pesquisa é o desenvolvimento de exemplares mais resistentes ao calor e a doenças comuns à espécie, além de outras melhorias genéticas, como maior resistência ao carrapato.
Luiz Sérgio de Almeida Camargo, professor e pesquisador da Embrapa, também membro suplente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), explica que as etapas iniciais do projeto começaram em 2024, com a seleção de reprodutores para doação de sêmen, seguido da produção e edição dos embriões e sua transferência para as receptoras. A pesquisa continua com o nascimento dos animais e a realização de testes para avaliar a eficácia da edição gênica. Camargo destaca o cumprimento rigoroso da legislação vigente em cada etapa do processo.
"As características almejadas nos embriões e nos animais que nascerão são as mesmas que poderiam surgir em um processo de cruzamento natural. Essa prática já é reconhecida pela legislação brasileira e por países como os Estados Unidos e a Argentina. A engenharia genética realizada aqui não configura transgenia, pois os genes editados são naturais da espécie", esclarece Camargo.
O pesquisador ainda acrescenta que todo o processo será submetido à análise da CTNBio para validação dos procedimentos e dos resultados obtidos. "Após o nascimento dos animais, continuaremos os estudos e enviaremos uma carta-consulta à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, para que sejam reconhecidos como não transgênicos, visto que, apesar de passarem por edição genética, os animais não contêm DNA estranho à espécie", afirma.
A Associação Brasileira de Angus, responsável pela organização do projeto, segue acompanhando atentamente as etapas para garantir que a raça, seus criadores e associados tenham acesso ao que há de mais avançado em termos de tecnologia e estudos técnicos. José Paulo Cairoli, presidente da Associação, reforça o compromisso com o respeito às normas e à legislação em todas as fases do projeto.
"Nossa prioridade é a evolução da raça, sempre buscando animais que se adaptem de forma eficiente ao ambiente e ao clima brasileiros, sem jamais abrir mão do respeito às normas e legislações, que são essenciais no programa de edição gênica", destaca Cairoli.
Para Mateus Pivato, diretor-executivo da Associação, os avanços em pesquisa são fundamentais para continuar valorizando a raça Angus. "O papel da Associação é estar na vanguarda do melhoramento genético e proporcionar as melhores tecnologias para os criadores. Por isso, acompanhamos de perto os resultados dos estudos, observando como os animais se comportam, se atendem às expectativas, como tolerância ao calor e adaptação, sem prejudicar outras características. A edição gênica é uma evolução muito positiva", avalia.
Pivato também destaca que, além da evolução genética desejada, a manutenção e o fortalecimento do sistema imunológico da raça, com maior resistência a doenças, são aspectos essenciais para as futuras parcerias e pesquisas conduzidas pela Associação.
Fonte: Portal do Agronegócio
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