Pastagens

Quando a recuperação direta da pastagem é recomendada e, sua viabilidade técnica e econômica

Adilson de Paula Almeida Aguiar Zootecnista, professor de Forragicultura e Nutrição Animal no curso de Agronomia e de Forragicultura e de Pastagens e Plantas Forrageiras no curso de Zootecnia das Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU); Consultor Associado da CONSUPEC - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda; investidor nas atividades de pecuária de corte e de leite.


Publicado em: 10/09/2020 às 15:00hs

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O paradigma

Aceita-se com naturalidade no meio pecuário que a pastagem degrada-se e que de tempos em tempos precisa ser renovada (troca da espécie forrageira) ou recuperada (com manutenção da espécie forrageira) indiretamente (com integração com lavoura). Este paradigma é compreensível em um país como o Brasil, onde se estima que 80% da área de pastagem encontra-se em algum grau de degradação, sendo que mais da metade encontra-se em graus avançados deste processo. Em 52,5% da área de pastagem do país a taxa de lotação está abaixo de 0,4UA/ha, 25,1% entre 0,4 e 0,8UA/ha, 18,3% entre 0,8 e 1,5UA/ha e apenas 4% está ocupada com taxas de lotação acima de 1,5UA/ha.

Recuperação indireta da pastagem

As causas do processo de degradação, seus graus ou estádios, as metodologias para o seu inventário, diagnóstico e classificação dos graus ou estádios e os métodos de recuperação ou renovação têm sido muito investigados pela pesquisa, estudados nos cursos universitários de ciências agrárias, validados em campo, em fazendas comerciais e divulgados na mídia especializada. Por exemplo, têm sido bem documentadas as vantagens da renovação ou da recuperação indireta envolvendo a integração com lavoura, entretanto, nem sempre estes métodos são os mais adequados para determinadas condições específicas diagnosticadas.

Recuperação direta da pastagem

Vários fatores suportam a recomendação de recuperar diretamente a pastagem, tais como:

(a) as espécies forrageiras implantadas nas pastagens da propriedade são adaptadas às condições climáticas e de solos presentes;

(b) o estande de plantas das espécies forrageiras adaptadas está uniforme por todo o piquete;

(c) o controle de plantas invasoras e de insetos pragas pode ser realizado com um custo abaixo do de uma renovação ou de uma recuperação indireta.

Somente estes três fatores já justificariam a técnica, operacional e economicamente, e a escolha da recuperação direta em detrimento dos outros métodos. Mas se além daqueles fatores as condições climáticas forem instáveis (curta estação chuvosa com veranicos longos durante a estação chuvosa), o relevo do terreno e a drenagem do solo dificultar ou impedir a mecanização, não se teria dúvida em recomendar a recuperação direta.

Mas, o que é recuperação direta da pastagem?

Além destes fatores, é preciso concluir sobre a disposição de o pecuarista investir em lavoura, sua experiência e conhecimento em culturas agrícolas, a infraestrutura da propriedade e da região para desenvolver tal atividade, o capital necessário e sua origem para entrar na agricultura, entre outros. Mas em que consiste a recuperação direta da pastagem? Em sequência:

1) fazer o inventário das pastagens para classificar o programa de condução de cada piquete nos 12 meses seguintes;

2) medir as áreas exatas de cada piquete e mapear as pastagens, se ainda não houver este registro;

3) ajustar a taxa de lotação (pesar o rebanho) à capacidade de suporte da pastagem (calcular a disponibilidade de forragem e/ou medir a altura do pasto);

4) manejar o pastejo pelas alturas alvos específicas de cada espécie forrageira;

5) ao mesmo tempo amostrar solo para análise;

6) interpretar os resultados das análises de solos e recomendar a correção e adubação de acordo com as condições específicas de cada piquete e as metas estabelecidas;

7) executar o programa em sequência fazendo a correção do solo (com calcário, gesso etc., até o final das chuvas na região), controlando as plantas invasoras e os insetos pragas (dependendo das espécies infestantes poderá ser durante a seca ou então aguardar o reinicio das chuvas), e fazendo as adubações (após o reinicio das chuvas).

Mas aí o pecuarista que irá desembolsar o dinheiro para a recuperação da pastagem pergunta: qual será o retorno destes investimentos e custos? Veja o quadro 1.

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Conclusão

A recuperação direta comparada com a renovação e a recuperação indireta traz como vantagens para o pecuarista:

(a) é um processo mais rápido (metade do tempo);

(b) o valor do investimento é menor (metade da renovação direta e 3 a 6 vezes menor que a renovação ou a recuperação indireta);

(c) é uma operação de risco muito menor.

Fonte: Scot Consultoria

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