Publicado em: 10/07/2013 às 09:20hs
Lá, as abelhas ditam as regras da produção e da confecção de produtos naturais feito com o mel, ora suave, ora mais encorpado, como define a assentada Lázara Batista. E toda essa história começou com a ajuda do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
Lázara, 46 anos, é quem preside o Abelha de Ouro, grupo com apenas seis mulheres. O Abelha de Ouro pertence à Cooperativa de Produção Agroindustrial Familiar do Sudoeste Goiano (Coopfas), que tem como carro-chefe outro tipo de produção, o leite. Na cooperativa, todos acessaram o Pronaf grupo A, voltado para assentamentos. Mas dona Lázara, mãe de três filhos e avó de quatro netos, queria mais.
Em 2005, ela fez a primeira tentativa, apresentando à prefeitura um projeto com a ideia de transformar o assentamento, que fica dentro de uma reserva, em um local rentável. “A ideia inicial era tornar a nossa reserva produtiva. E a única coisa que se podia produzir ali dentro sem degradar a natureza era o mel. Fizemos um projeto para usar a reserva e torná-la rentável, porque a gente preservaria o ambiente e ainda tiraria o sustento dali”, explica a produtora, que ainda precisou esperar mais cinco anos para tirar a ideia do papel.
Edital
Em 2010, com o dinheiro conquistado por meio de um edital público, Lázara e as companheiras deram início ao apiário. Elas compraram as colmeias e os produtos de inox que as ajudam, até hoje, na produção caseira. A colheita do mel, que, para ficar suave ou mais denso depende do tipo de flor (chamada por elas de “florada”), é feita apenas uma vez por ano. No máximo, duas. “Distribuímos o mel em frascos. A quantidade ainda é pequena, porque as abelhas sempre mudam. Essa última colheita rendeu 200 kg de mel”, relata.
Com essa produção, o Abelha de Ouro vende, além do mel puro tirado da abelha-africana, sabonete íntimo com barbatimão, aroeira, mel e própolis; cera depilatória; gel com microesferas esfoliantes; spray bucal; shampoo e condicionador para os cabelos. “Quem faz tudo é a natureza, depende da florada, do mel. Quem direciona tudo são as abelhas”, explica Lázara. A assentada diz que as abelhas são como os animais de estimação, que entendem quando o dono conversa com eles. Ela faz o mesmo com as abelhas. “Começamos a trabalhar com as abelhas como se fosse com um cachorro que temos dentro de casa. Então, conversamos com elas. E elas dão retorno. As abelhas sentem”, acredita. “Minha meta para o futuro é ambiciosa. Quero continuar no assentamento, mas quero ter conforto, qualidade de vida. Vou vender meus produtos onde tiver mercado”, espera a assentada.
Fonte: MDA - Ministério do Desenvolvimento Agrário
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