Publicado em: 03/04/2025 às 18:40hs
As recentes chuvas no Centro-Sul do Brasil trouxeram alívio após um período seco entre fevereiro e o início de março, contribuindo para a queda nos preços do açúcar. Além disso, a moagem intensa da cana-de-açúcar registrada pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) sinaliza um desempenho ainda mais sólido na safra 2024/25, com potencial para superar 620 milhões de toneladas.
As previsões climáticas favoráveis para os próximos meses, abrangendo abril, maio e julho, reforçam a expectativa de uma colheita promissora para 2025/26, o que limita o suporte às cotações. Paralelamente, o aumento da participação brasileira no comércio global intensificou sua influência sobre a volatilidade do mercado, podendo tanto amenizar quanto agravar impactos de fatores externos.
Na última semana, a tendência de baixa voltou a predominar no mercado de açúcar, derrubando os preços para 18,96 centavos de dólar por libra-peso, após terem alcançado brevemente 20 centavos de dólar por libra-peso na semana anterior—uma retração de quase 4% no período. Essa movimentação foi impulsionada pelas precipitações recentes e pelo avanço da moagem de cana, conforme apontado pela Hedgepoint Global Markets.
O relatório da Hedgepoint indicou que a moagem de cana na primeira quinzena de março foi intensa, consolidando expectativas de um desempenho robusto na safra 2024/25. Há, inclusive, possibilidade de que a produção ultrapasse 620 milhões de toneladas, especialmente com algumas usinas iniciando suas atividades antes do previsto pelo mercado. Atualmente, 37 usinas estão em operação no Centro-Sul, e outras 19 devem dar início à temporada 2025/26 até o final deste mês, minimizando preocupações com um começo desfavorável.
"Seguimos bastante otimistas em relação ao volume de cana para a próxima temporada, projetando 630 milhões de toneladas. No entanto, a seca de fevereiro não pode ser desconsiderada, e o monitoramento das chuvas em abril será essencial para eventuais ajustes nas estimativas", explica Lívea Coda, coordenadora de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.
Apesar das incertezas climáticas, as perspectivas positivas para a safra brasileira em 2025/26 continuam firmes. "A volatilidade pode surgir a partir de eventos em outros países produtores, mas um bom desempenho do Centro-Sul pode mitigar parte desses impactos", acrescenta a especialista.
As projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam um cenário climático dentro da média para os próximos meses, até julho. Esse panorama reforça a expectativa de um novo ciclo produtivo favorável, garantindo oferta estável ao mercado global de açúcar.
Contudo, fatores externos seguem influenciando a formação dos preços. "Embora rumores e notícias de outros países possam mexer com o mercado—como a possibilidade de restrições às exportações pela Índia—, a produção no Centro-Sul pode atenuar oscilações de preços resultantes dessas incertezas", destaca Lívea Coda.
Dessa forma, o mercado segue atento às condições climáticas e às movimentações internacionais para projetar os próximos passos na precificação do açúcar.
Fonte: Portal do Agronegócio
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