Publicado em: 04/04/2025 às 16:30hs
A escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e China marcou a semana e trouxe impactos significativos ao mercado de soja. O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou um amplo pacote de tarifas, adotando uma postura rígida contra Pequim. Em resposta, o governo chinês impôs uma taxação adicional de 34% sobre produtos importados dos Estados Unidos, aumentando a incerteza global e pressionando as cotações da commodity.
De acordo com Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, a retaliação chinesa pode favorecer o Brasil, já que a demanda pela soja norte-americana tende a recuar. "Se essas tarifas permanecerem por um período prolongado, o Brasil pode ampliar sua fatia de mercado, substituindo os Estados Unidos nas exportações para a China", avalia.
O analista de soja Rafael Silveira reforça essa visão, destacando que a exportação norte-americana pode cair de forma expressiva no segundo semestre, impulsionando as compras chinesas de soja brasileira.
O anúncio das tarifas trouxe um efeito imediato negativo para as commodities agrícolas negociadas nas bolsas dos Estados Unidos. Segundo Gabriel Viana, consultor da Safras & Mercado, "a política externa de Trump tem um impacto baixista sobre todo o complexo da soja, atingindo os mercados globais, já que as novas tarifas afetam praticamente todos os países".
O consultor acrescenta que, com o encerramento da colheita no Brasil e o início do período de safra na Argentina, a demanda global deve se concentrar na América do Sul nos próximos meses.
No entanto, apesar da expectativa de aumento da procura pela soja brasileira, os preços internos acompanharam a queda nos contratos futuros da Bolsa de Chicago (CBOT). Até a manhã de sexta-feira, o contrato para maio registrava um recuo de 2,44%, sendo negociado a US$ 9,98 por bushel, abaixo da marca de US$ 10,00.
Nos principais polos produtores do Brasil, a desvalorização também foi expressiva:
O mercado segue atento aos desdobramentos das tensões comerciais e seus reflexos na precificação da soja ao longo das próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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