Publicado em: 02/04/2013 às 17:10hs
As exportações estiveram aquecidas nos últimos nove meses – somente em 2013, já foram embarcadas 7,3 milhões de toneladas –, mas novos negócios para embarque em curto prazo estão praticamente parados, conforme levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Nesse segmento, a equipe Cepea tem captado apenas a intensificação paulatina dos negócios referentes ao grão da safra de inverno. As estimativas de ligeiro crescimento da área de milho nos Estados Unidos, que levam à expectativa de safra recorde, pressionam ainda mais o cenário de médio prazo.
Desde o início do ano, os preços do milho no mercado de balcão cederam mais de 16% e, no de lotes, mais de 14%, considerando-se a média das regiões acompanhadas pelo Cepea em vários estados do Brasil. As médias atuais são apenas 3% maiores que as de um ano atrás no mercado de balcão (ao produtor) e 5% superiores no segmento de lotes.
Além da boa colheita de verão, a segunda safra pode ser recorde. Mesmo que Mato Grosso colha menos que no inverno passado, outros estados, em especial o Paraná, devem mais que compensar. Simultaneamente, explicam pesquisadores do Cepea, pesam os problemas de armazenagem, sobretudo porque há muitas regiões deficitárias em capacidade de armazenagem e que produzem volumes expressivos do cereal, o que requer a venda conforme avança a colheita.
Considerando-se a possibilidade de armazenar toda a safra de grãos de um ano, levantamentos do Cepea mostram que os estados com maiores déficits de capacidade estática seriam: Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Bahia e Minas Gerais. No Paraná, por exemplo, as regiões mais deficitárias são a sudoeste e a oeste, enquanto em Minas Gerais, são o Triângulo Mineiro, o norte e o sul do estado, todas importantes produtoras de milho no verão. Assim, é preciso vender conforme avança a colheita, comentam os pesquisadores.
No segundo semestre, além da safra de inverno, poderá haver pressão, também, da colheita norte-americana que, segundo o USDA, tem potencial para cerca de 379 milhões de toneladas, o que representaria crescimento de mais de 38% sobre 2012. O Brasil, no entanto, com produção recorde, precisaria exportar entre 15 e 20 milhões de toneladas para evitar excedentes internos.
Na BM&FBovespa, os contratos futuros apontam para a casa de R$ 25,00/saca a partir de maio, o que representa queda por volta de 10% em relação ao patamar atual – nessa segunda-feira, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, referente à região de Campinas (SP) e base para a liquidação dos contratos futuros, fechou a R$ 28,46/sc de 60 kg. Na mesma linha, as cotações norte-americanas (CME/CBOT -Bolsa de Chicago) apontam fortes quedas de 17% entre os vencimentos Mai/13 e Dez/13, tomando-se como base os fechamentos desta segunda-feira. Na média de março, as diferenças de preços entre os dois contratos foi de 22%.
No mercado brasileiro, levantamentos do Cepea mostram que, nessa segunda-feira, a saca de 60 kg de milho no mercado disponível teve média de R$ 15,83 em Sorriso (MT), de R$ 26,38 em Passo Fundo (RS) e de R$ 25,09 no Triângulo Mineiro.
Fonte: CEPEA
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