Publicado em: 03/04/2025 às 19:20hs
Os estoques de café na União Europeia registraram queda no último mês, segundo dados da Federação Europeia de Café (ECF). Embora o volume armazenado ainda esteja acima dos níveis de 2024, os números permanecem significativamente abaixo da média histórica e figuram entre os menores das últimas décadas.
A redução dos estoques reflete, em grande parte, o ritmo mais lento das importações no bloco. Em janeiro e fevereiro, o volume de café importado sofreu uma queda acentuada, ficando abaixo dos valores médios e dos registrados no ano anterior. Esse movimento pode ser um indicativo de uma possível desaceleração no consumo europeu.
Enquanto a demanda na Europa desperta preocupações, as perspectivas no Brasil se mostram mais otimistas. A expectativa de chuvas nas principais regiões produtoras pode favorecer a próxima safra e ajudar a equilibrar a oferta no mercado global.
Os preços futuros do café Arábica têm enfrentado resistência na faixa de 390 centavos de dólar por libra-peso (c/lb) nos últimos dias. O contrato para maio de 2025 chegou a ser negociado abaixo de 380 c/lb na última quinta-feira (27), o menor nível desde o final de fevereiro.
A pressão sobre os preços reflete uma combinação de fatores. De um lado, a alta nos preços ao consumidor em diversos países limita o avanço dos contratos futuros. Por outro, as preocupações com uma possível escassez de Arábica, aliadas à restrição da oferta de café Robusta na Ásia e no Brasil, mantêm as cotações acima dos 370 c/lb.
“Os estoques europeus caíram em janeiro e fevereiro, conforme apontado pela ECF. Apesar da redução no volume disponível na maior região consumidora de café do mundo, os preços futuros não reagiram de forma expressiva, com o contrato maio/25 do Arábica chegando a cair abaixo de 380 c/lb na última semana”, analisa Laleska Moda, especialista em Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.
De acordo com a ECF, os estoques da União Europeia, embora ainda superiores aos de 2024, totalizaram 7,39 milhões de sacas em fevereiro. O volume representa uma redução de 36,1% em relação à média histórica e é um dos menores já registrados.
As importações líquidas de café verde na Europa continuam levantando questionamentos sobre o comportamento da demanda. No acumulado da safra 2024/25 (outubro/24 – fevereiro/25), o bloco importou 17,3 milhões de sacas, volume semelhante ao registrado no ciclo anterior, mas 6,6% inferior à média histórica do período.
O principal ponto de atenção, no entanto, é a desaceleração observada a partir de janeiro de 2025. Após manter um ritmo estável até dezembro, as importações passaram por um declínio acentuado, atingindo o menor nível dos últimos 10 anos.
Além disso, as tensões entre torrefadores e varejistas na Europa têm resultado em sucessivos aumentos no preço do café para o consumidor. Empresas como Lavazza, Nestlé e JDE estão renegociando contratos, e, caso os custos continuem a ser repassados ao varejo, novas altas podem ocorrer nos próximos meses, reforçando o risco de retração no consumo e impacto adicional nas importações.
A pressão sobre os preços do café não se restringe ao mercado europeu. No Brasil, a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) prevê novos aumentos nos próximos meses, o que pode afetar os hábitos de consumo no país. Já na América do Norte e na Europa, dados da Nielsen preparados para a Reuters indicam uma queda de 3,8% nas vendas de café torrado em 2024, enquanto os preços avançaram 4,6% no mesmo período.
No lado da oferta, o mercado segue com restrições. Os produtores de Robusta no Vietnã e na Indonésia têm retido estoques na expectativa de novas valorizações, especialmente diante da escassez da oferta indonésia. Para o Arábica, a previsão de uma safra menor no Brasil em 2025/26 mantém o setor em alerta. No entanto, a expectativa de chuvas em Minas Gerais pode mitigar novas altas nos preços do mercado futuro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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