Publicado em: 03/04/2025 às 17:00hs
A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) deu início ao projeto "Expansão e fortalecimento da cadeia produtiva de arroz em Minas Gerais, com foco em sustentabilidade e segurança alimentar". A iniciativa visa gerar, validar e transferir tecnologias para ampliar o cultivo do grão no estado, com especial atenção à agricultura familiar.
A proposta, aprovada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), conta com um investimento de aproximadamente R$ 2 milhões e terá duração de 48 meses. Coordenado pela pesquisadora Janine Guedes, o projeto pretende abranger todo o território mineiro, com ênfase nas regiões do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha.
"Vamos atuar em diversas áreas do estado, priorizando os agricultores familiares e as produções nessas regiões", destaca a pesquisadora. O trabalho será realizado em parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla), a Embrapa Arroz e Feijão, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) e institutos federais de Minas Gerais.
O cultivo de arroz no estado apresentou um crescimento expressivo. Na safra 2023/2024, a área plantada aumentou 470%, impulsionada pela expansão da produção de arroz de terras altas. Minas Gerais, que na década de 1970 era o quarto maior produtor nacional, ocupava a 18ª posição na safra 2022/2023.
O sistema de cultivo em terras altas se destaca pelo uso racional da água, dependendo exclusivamente das chuvas para a produção. Essa modalidade pode contribuir para uma distribuição mais estratégica e segura do grão, que é alimento básico para 84% da população brasileira.
"Esse modelo de cultivo alia sustentabilidade, eficiência no uso de recursos e segurança alimentar, especialmente em regiões de condições mais adversas, como o Vale do Jequitinhonha e o Norte de Minas", ressalta Janine Guedes.
De acordo com o IBGE, aproximadamente 250 municípios mineiros cultivam arroz para subsistência, produzindo um excedente que é absorvido por programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). "Minas Gerais é o segundo estado com maior número de agricultores familiares do país, e essa atividade tem participação expressiva na produção nacional de grãos. A Emater tem trabalhado ao lado desses produtores para viabilizar a comercialização do excedente por meio desses programas", explica Janine.
O projeto prevê diversas ações voltadas para a pesquisa participativa, melhoramento genético e desenvolvimento de novas cultivares. Além disso, serão avaliadas a adaptabilidade de diferentes materiais e a viabilidade do plantio consorciado com o café. Outra inovação prevista é o incentivo à participação feminina na produção e a análise do uso de óleos essenciais no armazenamento de sementes.
Os resultados dos experimentos serão disseminados ao longo da pesquisa por meio de dias de campo, cursos, treinamentos e reuniões com associações de mulheres agricultoras. Além disso, os dados coletados serão apresentados em congressos e publicações científicas, ampliando o impacto da iniciativa no setor agrícola mineiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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