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Soja: Mercado toma fôlego em Chicago e trabalha em alta nesta 5ª feira; China no foco principal

O mercado da soja parece ter tirado a manhã desta quinta-feira (17) para tomar um fôlego na Bolsa de Chicago depois das baixas intensas do pregão anterior. Na manhã de hoje, por volta de 7h30 (horário de Brasília), as cotações trabalhavam em campo positivo, subindo pouco mais de 6 pontos nas posições mais importantes.

Assim, o vencimento julho/18 já recuperava o patamar dos US$ 10,00 e era negociado a US$ 10,06 por bushel, enquanto o agosto/18 valia US$ 10,09.

O desenvolvimento das negociações entre China e Estados Unidos sobre suas relações comerciais segue ditando o ritmo do mercado internacional. A nova rodada de conversas será iniciada nesta quinta-feira e os traders se mantêm muito atentos às novidades que podem surgir desse acordo.

O objetivo deste novo encontro continua sendo o de evitar uma guerra comercial com elevadas tarifações sobre produtos importantes para as duas nações. Quem lidera a delegação americana na conversa com o vice-premier chinês Liu He, principal assessor econômico do presidente Xi Jinping, serão Steven Mnuchin, secretário do Tesouro dos EUA, Wilbur Ross, secretário de Comércio e o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer.

No paralelo, mantida também a atenção sobre o cenário climático no Corn Belt, bem como o progresso do plantio norte-americano da safra 2018/19.

E nesta quinta, como tradicionalmente acontece semanalmente, os participantes do mercado esperam também pelos novos números das vendas para exportação que serão atualizados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). As expectativas para a soja são de vendas de 300 mil a 600 mil toneladas da safra velha e de 100 mil a 400 mil da nova.

O mercado traz projeções também de 100 mil a 300 mil toneladas de farelo e mais 10 mil a 40 mil toneladas de óleo de soja.

Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:

Soja fecha com forte baixa em Chicago, mas dólar em alta limita recuo no Brasil nesta 4ª

Os preços da soja formados no Brasil, apesar de uma nova alta do dólar nesta sessão, sentiram de forma mais intensa as quedas em Chicago e terminaram os negócios desta quarta-feira (16). No porto de Paranaguá, a soja disponível encerrou o dia com queda de 1,16% e R$ 85,00 por saca. Em Rio Grande, baixa de 0,81% no disponível de de 0,46% para o futuro, com os últimos preços em R$ 85,80 e R$ 86,50.

No interior, as cotações também recuaram e as perdas chegaram a bater em 1,45%, como foi o caso de Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, onde o último preço foi de R$ 68,00. Mesmo com as baixas, as praças do Paraná e do Rio Grande do Sul conseguem manter-se acima dos R$ 70,00 por saca, e em alguns casos, chegam a superar os R$ 80,00.

Em Castro, no Paraná, por exemplo, o preço cedeu 1,16% nesta quarta-feira para terminar o dia com R$ 85,00 por saca.

Como explicou o economista da Farsul, Antônio da Luz, em entrevista ao Notícias Agrícolas, o momento segue muito oportuno para os produtores brasileiros, já que o principal pilar de suporte para as cotações no mercado brasileiro tem sido o dólar.

"É hora de fazer médias e aproveitar esse preço que está aí", diz. O especialista afirma ainda que essa pode ser uma prática favorável, principalmente, para aqueles produtores que não têm o hábito de utilizarem mecanismos de produção.

Nesta quarta, o dólar fechou o dia com alta de 0,48% e valendo R$ 3,6784, registrando seu mais alto patamar desde 7 de abril de 2016. Nas últimas quatro sessões, a moeda americana acumula um ganho de 3,71%.

"O dólar seguiu avançando nesta quarta-feira e galgou mais um patamar, de 3,67 reais, influenciado pela possibilidade de mais altas de juros nos Estados Unidos neste ano e também pelo provável corte da taxa Selic logo mais pelo Banco Central, o que reduzirá ainda mais o diferencial de juros do Brasil com o exterior", informou a Reuters.

Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago, os futuros da soja terminaram o dia com baixas de 15,75 a 19 pontos e o contrato julho/18 fechando abaixo dos US$ 10,00 por bushel. O agosto/18 encerrou o pregão sendo cotado a US$ 10,03 por bushel.

Segundo explicou Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, a combinação desta força do dólar não só no Brasil, mas também no exterior - e de boas condições de clima para a nova safra dos Estados Unidos tem promovido uma intensificação das baixas dos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago. A pressão é ainda maior com a falta de acordo entre chineses e americanos sobre suas relações comerciais que ameaçam, entre outros, o comércio da soja entre as duas nações.

Nesse cenário, ainda segundo Brandalizze, o novo intervalo de preços passa a ser de US$ 10,00 a US$ 10,50, e não mais de US$ 10,20 a US$ 10,70 como se observava há algumas semanas. "O plantio nos EUA está bem adiantado e as condições de clima são favoráveis. Temos que esperar para saber como serão as coisas mais para frente, a partir de julho", diz.

Até o último domingo (13), o plantio da oleaginosa já estava concluído em 35%, de acordo com os números do último reporte semanal de acompanhamento de safras divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) na segunda-feira (14).

Além do clima, a pressão do dólar vem com a disparada da moeda americana frente a brasileira, uma vez que motiva mais negócios no Brasil, pressionando as cotações na CBOT, mas atrai também os investidores para esse, que é um ativo mais seguro em meio a incertezas que seguem rondando o mercado financeiro.

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Data de Publicação: 17/05/2018 às 11:10hs
Fonte: Notícias Agrícolas
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