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Soja ameniza perdas do pregão anterior e opera em alta nesta 6ª feira na Bolsa de Chicago

Na sessão desta sexta-feira (19) na Bolsa de Chicago, os preços da soja já recuperam parte das fortes baixas registradas ontem e, por volta de 7h55 (horário de Brasília), os principais contratos subiam entre 6,25 e 7,75 pontos. Com isso, o contrato julho/17 valia US$ 9,52 e o novembro/17, US$ 9,50 por bushel.

Em um dia um pouco mais tranquilo para as cenas políticas do Brasil e dos Estados Unidos - onde Donald Trump também enfrenta alguns problemas no governo - o dólar passa a recuar em relação à disparada do dia anterior e ajuda no fôlego das commodities. Na manhã de hoje, o índice dólar já cedia 0,45% para chegar aos 97,33 pontos.

Somente frente ao real, ontem, a moeda americana subiu mais de 8%, registrou sua maior alta em mais de 18 anos e encerrou o dia com R$ 3,38, após bater em R$ 3,44 na máxima do dia.

Entre os fundamentos, os traders não tiram sua atenção das condições de clima nos Estados Unidos, da demanda ainda forte pela soja americana - com as últimas vendas semanais superando, mais uma vez, as 300 mil toneladas - e agora, mais do que antes, a competitividade entre as principais origens.

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira, e entenda o fundamental papela da soja brasileira na formação dos preços internacionais:

Soja: Preços recuam forte em Chicago tentando compensar vantagem brasileira com alta do dólar

Somente na sessão desta quinta-feira, 18 de maio, os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago despencaram mais de 2%, ou, encerraram o dia perdendo entre 23 e 31 pontos entre as posições mais negociadas. O contrato julho/17 fechou abaixo dos US$ 9,50, cotado a US$ 9,44. O novembro/17 seguiu o mesmo caminho e também encerrou suas atividades em US$ 9,44.

A reação das cotações da oleaginosa no mercado futuro norte-americano, uma das mais intensas das últimas sessões, foi um claro reflexo de uma disparada do dólar frente a uma série de moedas nesta quinta, mas especialmente a brasileira após a bomba política que estourou em Brasília com delações de empresários da JBS envolvendo o presidente Michel Temer.

"Se alguém tinha alguma dúvida da importância do agronegócio brasileiro na formação do preço internacional, hoje tivemos uma prova cabal de que somos players fortes mesmo. Um fenômeno puramente local, que é a depreciação da nossa moeda, teve uma implicação muito forte nos preços lá fora", constata Camilo Motter, economista e analista de mercado da Granoeste Corretora de Cereais.

A divisa fechou o dia com sua maior alta em mais de 18 anos - 8,15% - e valendo R$ 3,3890. O impacto sobre as cotações da soja em Chicago foi imediato, bem como nas demais commodities negociadas nas bolsas norte-americnanas. O gráfico a seguir mostra a movimentação do contrato julho somente nesta quinta-feira após fechar em US$ 9,75 no pregão anterior.

"Com alta forte do dólar frente ao real, a soja brasileira se torna mais competitiva. E nos Estados Unidos, para que a soja americana continue competitiva frente à brasileira, os preços caem em Chicago, esse é o mecanismo que eles têm para equilibrar essa relação", explicou o analista de mercado da OTCex Genebra, Miguel Biegai, em entrevista ao Notícias Agrícolas.

O movimento, portanto, interrompeu um canal de alta em que vinha trabalhando - mesmo caminhando de forma lateral - ao romper o patamar de suporte dos US$ 9,59 nesta quinta. Inclusive, antes mesmo da abertura do dólar no Brasil, os investidores já iniciaram esse forte movimento de vendas de posições durante a madrugada, promovendo essas quedas intensas. Só na madrugada, mais de 50 mil contratos foram movimentados somente no vencimento julho, como explica Biegai, uma quantidade cinco vezes maior do que o normal.

Novo rumo para os preços - O caminho para os preços da soja, portanto, mudou, apesar dos fundamentos - que ainda podem trazer novidades bastante fortes, especialmente sobre a questão climática no Meio-Oeste americano com a nova safra americana em pleno desenvolvimento de plantio.

"Hoje, a análise gráfica nos mostrou que essa tendência de alta está sendo desfeita. Agora, uma outra está se desenhando, ou lateral ou de baixa, mas ainda não dá para cravar em qual o mercado se encaixa agora", diz o analista. "O mercado pode dar uma estabilizada e, assim, Chicago também se estabilizada. Mas, ainda vamos ter bastante volatilidade no dólar e isso vai impactar nos contratos futuros de soja em Chicago com certeza", acredita.

Como explica o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, o sentimento de que com essa maior competitividade trazida pelo dólar a oferta brasileira de soja seja maior neste momento também pesou severamente sobre os preços em Chicago.

Apesar disso, a evolução das vendas no mercado brasileiro ficou aquém do esperado pelos especialistas, uma vez que o dia foi de absoluta incerteza e exigiu, apesar do clima de euforia, cautela, planejamento e avaliação por parte de vendedores e compradores, explicou o consultor. "A questão financeira ganhou um peso enorme e tomou conta dos negócios.

Dólar: Maior alta em mais de 18 anos

A quinta-feira foi de completo caos no Brasil. A bomba que explodiu sobre Brasília no noite desta quarta-feira, 17 de maio, teve proporçoes bastante severas no mercado financeiro não só nacional, como internacional. O Brasil esteve no centro dos noticiários e assim deve permanecer após delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista apontarem o envolvimento do presidente Michel Temer com corrupção.

As conversas foram gravadas por Joesley. Nas gravações, Temer teria dado seu aval para o pagamento do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, já preso pela Operação Lava-Jato. Da cadeia, Cunha teria dito que "se a JBS delatar, a República vai cair". Bem, dito e feito. As informações - vindas de um furo de reportagem do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo - dão conta ainda de que um intermediário de Temer teria oferecido a Joesley nomeações no Cade, no CVM, na Receita Federal, no Banco Central e PFN.

"Não renunciarei", disse o presidente em um rápido pronunciamento realizado nesta quinta, às 16h, em Brasília, sobre as denúncias de corrupção. "Sei o que fiz e exijo investigação plena e muito rápida para o povo brasileiro. Essa situação de dúvida e dubiedade não pode continuar", disse Temer. O presidente referiu-se ainda às gravações feitas por Joesley como clandestinas e disse que seu "único compromisso é com o Brasil, e é só esse compromisso que me guiará".

O sentimento minutos antes do pronunciamento, porém, era de que o presidente renunciaria ao cargo, o que trouxe ainda mais instabilidade ao mercado financeiro. Cinco minutos após o pronunciamento de Temer, o Ibovespa despencou 700 pontos e, perto de 16h25 (horário de Brasília), o dólar subia mais de 7% para ser cotado a R$ 3,386. O movimento de alta também se acentuou, assim como o de queda do Ibovespa, após as palavras do presidente. Na máxima do dia, a divisa testou os R$ 3,44. Veja no gráfico a movimentação do dólar nesta quinta-feira.

Como explicou o economista da Farsul (Federação de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul), Antônio da Luz, apesar dos reflexos imediatos sendo sentidos pela turbulenta cena política brasileira, é importante considerar que o Brasil ainda está passando por um momento de transição.

O Brasil atravessa sua maior depressão econômica da história, afinal. No entanto, vinha caminhando para um quadro geral mais favorável, com uma ligeira retomada da economia sendo observada com uma melhora nos índices nacionais, recou dos juros, da inflação e a melhora na criação de empregos. E esse é um dos fatores que poderia evitar uma nova explosão do dólar frente ao real daqui em diante a patamares que pudessem superar os R$ 4,00.

Já para Roberto Dumas Damas, economista e professor do Insper, as recentes notícias sobre o Brasil são, de fato, verdadeiras bombas e poderiam levar o dólar de volta aos R$ 4,00 com essa nova 'quebra de confiança' e uma alta do risco país. O futuro do país - e das mudanças que vinham sendo promovidas - estão em xeque mais uma vez.

"Ninguém mais está pensando no Congresso em aprovar as reformas", diz Damas. Para o economista, quando as provas em questão forem efetivamente divulgadas a situação poderia se agravar ainda, estimulando essa continuidade de alta da moeda americana frente à nacional.

Assim, o câmbio volta a atuar como um fator a mais para a formação dos preços da soja no Brasil, podendo abrir mais janelas de oportunidade ao lado daquelas que poderiam vir com o clima no Corn Belt, caso novas adversidades apareçam.

Mercado Brasileiro: Ganhos diários de até 7%

A alta do dólar, nesta quinta-feira, foi muito maior do que as baixas entre os futuros da soja na Bolsa de Chicago. Assim, as principais praças de comercialização somaram ganhos diários que começaram em 1,92% e chegaram a 7,96%. Entre os portos do Brasil, altas de 2,16% a 4,9%.

Em Mato Grosso, algumas praças recuperaram a referência dos R$ 60,00 por saca, como Rondonópolis, Primavera do Leste, Alto Garças e Itiquira. Em Castro, no Paraná, o preço encerrou com R$ 70,00 e Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, com R$ 63,50 por saca.

No terminal de Paranaguá, a soja disponível foi a R$ 72,00 por saca; em Rio Grande a R$ 71,80 e em Santos a R$ 71,00. Já na referência junho/18 no terminal gaúcho foi R$ 75,00 por saca, e no paranaense, R$ 72,00 para o março do ano que vem.

"Estes sinais de aumento de preço vão trazer um aumento de oferta no decorrer porque o produtor esteve muito retraído. Não é uma oferta do produto brasileiro como um todo, o produto está colhido, está nos armazéns, mas aquela oferta momentânea, de interesse de venda, está contido e vai ser mais aberto daqui para frente", explica o economista e analista de mercado Camilo Motter, da Granoeste Corretora de Cereais.

Assim, com ainda muita incerteza e possibilidade de mais altas para o dólar, é compreensível a especulação do produtor brasileiro e sua postura em segurar um pouco mais suas vendas, diz o analista. "Esse momento - que ainda não sabemos quanto tempo vai durar - é muito promissor para a formação de preços no Brasil, e é esse momento que o produtor vai aproveitar a venda. Ele está buscando, nesse momento, a melhor opção para ele", completa.

Surpresas ainda podem aparecer nesses próximos desdobramentos e alterar os caminhos percorridos e observados nesta quinta-feira. "O produtor sabe dos riscos que corre, mas vê que a possibilidade maior é de um preço maior no decorrer, por isso que ele retém", relata Motter em entrevista ao Notícias Agrícolas.

A rentabilidade do produtor, porém, segue assegurada, mesmo estando distante dos últimos anos, quando era bem superior a observada atualmente, e em partes em função de uma produtividade bastante elevada observada nesta safra 2016/17.

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Data de Publicação: 19/05/2017 às 10:10hs
Fonte: Notícias Agrícolas
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