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São Paulo consolida processo de excelência sanitária na produção de mudas de seringueira

Desde 30 de abril não se pode mais comercializar mudas provenientes de viveiro de solo ou de sacola plástica com terra (Resolução SAA – 24, de 8-5-2017). É uma posição consolidada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, com olhar no futuro e respeito a quem quer produzir com sanidade e qualidade.

O sistema consiste na produção em que as plantas ficam suspensas em uma bancada de pelo menos 40 centímetros de altura em vez de cultivá-las diretamente no chão. São plantadas em substrato de origem vegetal, principalmente casca de pinos, e ficam dentro de sacolas plásticas em cima da bancada. Outra grande vantagem é a praticidade na hora do plantio proporcionada pelo peso das mudas que no substrato pesa apenas 1,5 quilo, enquanto a convencional chegava a pesar 4,5 quilos.

A produção por este sistema impossibilita a contaminação de pragas de solo e raízes. O nematoide Meloidogyne exígua raça 3, é o que mais preocupa os produtores, deixando a planta debilitada e suscetível a fungos e reduzindo a produção de látex. Em alta incidência causa morte de plantas em reboleiras.

O desenvolvimento do sistema sobre bancada e substrato teve origem em pesquisas realizadas pelo Escritório de Defesa Agropecuária (Eda) de Barretos em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) que mostram a necessidade de alterar o sistema de produção em que as mudas fossem isentas de nematoides dos gêneros Meloidogyne e Pratylenchus. “O produtor rural precisa ter garantia que está adquirindo mudas isentas de nematoides para não contaminar a sua propriedade com essa praga de dificílimo controle” disse engenheiro agrônomo da Secretaria Paulo Fernando de Brito, que junto à Coordenadoria de Defesa Agropecuária responde pela direção técnica do Eda de Barretos explicando que não se conhece método eficiente de controle para essa praga, “o máximo que se consegue é amenizar o problema com a diminuição da população de nematoides no seringal com aplicação de produtos biológicos”.

Na busca pela excelência sanitária foi preciso derrubar resistências, promover conhecimento técnico e científico, conscientizar o viveirista na adoção do novo sistema e apresentar aos produtores as vantagens das mudas serem sadias, com melhor qualidade do sistema radicular e crescimento de forma ordenada e uniforme.

De 16 a 18 de maio foi realizado em São José do Rio Preto, um treinamento para 52 engenheiros agrônomos da Coordenadoria de Defesa Agropecuária e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), que atuam nas principais regiões produtoras de seringueiras no Estado, para viabilizar a orientação e os cuidados técnicos aos produtores e aos viveiristas, e garantir que a muda saia sadia do viveiro e encontre igual condição para se desenvolver e produzir.

A origem do sistema adotado no Estado

Durante mais de 50 anos as mudas comercializadas no Estado foram produzidas no solo ou em sacola plástica com terra. Com a publicação pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento da Instrução Normativa nº 29, de 05 de agosto de 2009, que estabeleceu as exigências para a produção de sementes e de mudas de seringueira (Hevea spp.), visando garantir a sua identidade e qualidade, o Escritório de Defesa Agropecuária (Eda) de Barretos, da Coordenadoria de Defesa Agropecuária em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) realizou dois levantamentos amostrais: com a Unesp Jaboticabal para conhecer o índice de contaminação de nematoides em mudas de seringueira e com a Unesp Botucatu para conhecer o índice de contaminação de seringais por nematoides.

“Nos dois levantamentos os dados foram assustadores, mostrando que era fundamental mudar o sistema de produção de mudas de seringueira, para evitar a disseminação de nematoides no Estado e garantir a comercialização de mudas com qualidade sanitária, qualidade morfológica e qualidade genética”, disse o engenheiro agrônomo Paulo Fernando de Brito, diretor do Eda de Barretos.

Em 2012 a Unesp Jaboticabal publicou o trabalho "Ocorrência de nematoides em amostras de solo e raízes coletados em viveiros de mudas de seringueira no Estado de São Paulo", com os dados da amostragem realizada em 78 viveiros. O nematoide Meloidogyne spp estava presente em 82% das amostras de solo e em 35% das amostras de raízes. O Pratylenchus sp estava presente em 74% das amostras de solo e em 74% nas amostras de raízes. Em 2013 apresentou no Congresso Brasileiro de Fitossanidade o trabalho "Ocorrência de nematoides em viveiros de mudas de seringueira no Estado de São Paulo" com amostragem em 88 viveiros e mostrou que o Meloidogyne estava presente em 63,64% das amostras de solo e em 26,14% das amostras de raízes. O Pratylenchus estava presente em 60,23% das amostras de solo e em 62,50% nas amostras de raízes.

O trabalho "Nematoides fitoparasitas em seringais do Estado de São Paulo", publicado pela Unesp Botucatu em 2014, com amostragem em 75 seringais de 64 municípios do Estado, mostrou que nematoide do gênero Meloidogyne estava presente em 49,3% dos municípios e o nematoide Pratylenchus brachyurus em 66% dos municípios.

Com base nessas informações, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária começou a trabalhar com viveiristas tradicionais um novo sistema de produção de mudas de seringueira, com o objetivo de produzir mudas sem pragas de solo, principalmente nematoides. Foi então implantado no estado de São Paulo o sistema de produção de mudas de seringueira em bancada e substrato. O Boletim Técnico “Mudas de Seringueira em Bancada e Substrato” com o detalhamento para a implantação do novo sistema foi publicado em parceria com a Comissão Técnica de Seringueira e está disponível no site da Coordenadoria de Defesa Agropecuária, no endereço http://twixar.me/b1m3

Diversos trabalhos científicos e de pesquisa foram publicados mostrando a viabilidade do sistema de produção de mudas de seringueira em bancada e substrato e relatando com clareza que mudas produzidas no solo ou em sacola plástica com terra é um veículo disseminador de nematoides e alertando para o enorme risco de se formar seringal com mudas contaminadas por nematoides.

Base Legal

Desde 01/01/2015 (Resolução SAA – 23, de 26/06/2015) as mudas passaram a ser produzidas em sacolas plásticas ou similar, com substrato, sobre bancada com no mínimo 40 cm de altura.

As mudas de solo restantes produzidas antes desta data puderam ser comercializadas até 30 de abril de 2018 (Resolução SAA – 24, de 8-5-2017). Para jardim clonal instalado antes de 26 de junho de 2015, a comercialização das borbulhas poderá ser feita até 29 de fevereiro de 2020 (Resolução SAA – 18, de 3-4-2018).

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Data de Publicação: 25/05/2018 às 17:40hs
Fonte: Secretaria de Agricultura e Abastecimento de SP
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