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Programa do Senar resulta em roteiros turísticos

Um roteiro que mostra a história e evolução da produção da goiabada na região de Ponte Nova já é um dos resultados do programa de Turismo Rural, oferecido pelo Senar Minas. A proposta foi testada nesta semana em Ponte Nova durante o módulo de Alimentação. Outros três roteiros estão formatados e serão apresentados em abril, no encerramento do programa: um religioso em Urucânia, outro de turismo de aventura em Santo Antônio do Grama e um no Rio Casca.

O roteiro “Doce Viver” foi elaborado pelas alunas Gabriela Ribeiro, que é turismóloga, e Tânia Mara Sasse, que é historiadora, professora, produtora de eventos, em parceria com a instrutora do programa, Fernanda Corrêa da Silva. Os participantes foram à antiga fazenda Ana Florença, que tinha a produção de goiaba e açúcar mascavo; à unidade de produção da Christy, que usa uma tecnologia mais nova, e a outra mais caseira, a Sinhá Mineira.

A ideia vem de 2014 e a vontade de criar o roteiro se fortaleceu desde então, mas foi com o programa do Senar que foi colocado em prática. “Sempre percebi o potencial desse doce, que é único. O curso foi o ponto crucial. Para mim, foi uma realização. Temos muito a caminhar, mas o pontapé foi dado. E esse roteiro vai trazer muitas pessoas para a nossa cidade porque a nossa goiaba tem essência e identidade e é deliciosa”, disse Tânia.

Para a aluna Bianca Carolina Monteiro, que é educadora ambiental, professora da Escola Família Agrícola de Jequeri e representante da Associação de Proteção Ambiental do Vale do Piranga, participar do roteiro experimental sobre a goiabada foi uma oportunidade conhecer a história de regionalização do Vale do Piranga de uma forma agradável.

“É conhecer a história por trás da crise do café e de como a região conseguiu se reerguer em cima da cultura de cana-de-açúcar e como as mulheres, já na década de 1980, tinham um papel importante e já conseguiam o empoderamento utilizando, de forma bem criativa, o que sobrava da produção de cana, abundante na região, e de um fruto também abundante da região: a goiaba”, contou.

De acordo com a instrutora Fernanda Corrêa da Silva, o roteiro estimula a economia local e o fortalecimento da identidade da goiabada na região. “Com os roteiros já testados, os agentes já poderão formar e ter a oportunidade de comercializá-los em parcerias com hotéis e agências. É uma maneira de atrair turistas para a região. Eles têm uma ferramenta muito rica na mão para trabalhar e gerar renda não só para os agentes, mas também para todos que fazem parte do roteiro e, indiretamente, toda a região ganha”, destacou.

A atividade contou com a participação da gerente regional do Senar em Viçosa, Silvana Novais, que aprovou a iniciativa. “Teve uma boa repercussão e se mostrou viável, tem como levar turistas realmente. A avaliação é muito positiva porque a região de Ponte Nova é uma grande produtora de goiabada, muito reconhecida. As alunas foram felizes em pensar nisso. Esse circuito tem futuro. Estão no caminho certo”, avaliou.

Religião, Aventura e Rio Casca

Em Urucânia, foi idealizado o roteiro turístico “Vida e Milagres – Padre Antônio Ribeiro Pinto, o padre do povo”, voltado para fiéis e religiosos. Ele conta com a visita ao santuário, ao mirante de Nossa Senhora das Graças, cuja imagem foi doada por um fiel que alcançou uma graça, ao caminho por onde o padre passava diariamente para fazer suas orações, ao museu que guarda doações e oferendas feitas por fiéis, à casa onde o padre morou, à igreja matriz e à praça onde o padre acolhia os milhares de fiéis que chegavam de toda a parte do Brasil e do mundo atrás de suas bênçãos e graças milagrosas. Ao final, o visitante conhece uma fazenda histórica para se deliciar um café mineiro, conhecer um alambique de produção de cachaça e as ruínas de uma antiga usina de açúcar.

“Além de agradáveis e gostosos, esses novos roteiros que estão surgindo contam muito da riqueza cultural, histórica e do papel importante de Ponte Nova e região teve para o desenvolvimento de Minas e do Brasil”, disse Bianca.

Em Santo Antônio do Grama, o turismo fica por conta da aventura, com a prática de escalada e rapel. O aluno Isaac Adriano Santana Viana, que é empresário, repórter cinematográfico e praticante dessas modalidades foi quem propôs esse roteiro.

“Partimos em direção à Pedra do Oratório, que fica a cerca de 18 km da cidade. A estrada é bem acessível. Há o momento em que ensinamos os turistas a usarem os equipamentos de segurança e depois fazemos a escalada e o rapel. Há um lanche com frutas, o almoço em um restaurante e a visita à fábrica de doces de Santo Antônio do Grama. O pacote inclui o transporte e alimentação no local da escalada”, explicou.

Já o roteiro “Caminhos do Casca” entre Abre Campo e Rio Casca possibilita conhecer a história do rio que corta a cidade de Rio Casca, mostrando o crescimento do município e os fatos ocorridos em dezembro de 2017, quando houve a maior enchente da história na região. Segundo a aluna Marilene Rossi, que é proprietária de um pesque-pague e de restaurante, o roteiro inclui hospedagem, passeio em hotel-fazenda, loja de artesanato, museu, mirante e pesque-pague e restaurante, entre outras atrações que levam o turista ao contato com a natureza, cultura, costumes e culinária mineira.

O treinamento conta com a parceria dos Sindicatos de Produtores Rurais de Dom Silvério e Ponte Nova e o Circuito Turístico Montanhas e Fé.

Turismo Rural

No programa são catalogadas as potencialidades turísticas da região e abordados os temas de segurança, condução de turistas, alimentação, hospedagem e organização de eventos. O objetivo é formar profissionais com visão de negócio para fomentar o turismo rural, colaborando para o desenvolvimento econômico, social e ambiental.

Esta modalidade de turismo é nova no Brasil e mais recente ainda em Minas Gerais, como explicou a instrutora. “Existe uma carência de profissionais capacitados, principalmente em regiões em que o turismo não é uma das principais atividades econômicas. Além disso, as comunidades têm dificuldade em perceber que trabalhar com turismo é um negócio e precisa ser encarado como tal, mesmo se as regiões preservam suas características rústicas e tradicionais”.

Os agentes devem atuar regionalmente e de forma integrada com a comunidade, poder público e iniciativa privada. “Eles conseguem enxergar que tranquilidade, história, cultura, ar puro, diversidade, comida típica, paisagem, atividades produtivas e outras características despertam a cada dia muito interesse do turista, sobretudo daqueles que vivem em grandes centros urbanos e que não têm a oportunidade diária de conviver com o que eles possuem em abundância”, explicou.

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Data de Publicação: 14/03/2018 às 13:40hs
Fonte: FAEMG
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