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Produtores precisam mostrar que são um bom risco, diz diretora de banco

A avaliação é de Fabiana Alves, diretora-executiva do Rabobank, instituição voltada para o agronegócio e com atuação nos principais países produtores de alimentos.

Alves destaca ainda que o produtor brasileiro tem de saber se vender, quando se trata da obtenção de crédito e taxas mais favoráveis.

A agricultura entra na área digital, mas essa evolução avançará mais com a vinda da nova geração, que está prestes a ocorrer.

Os desbravadores da agropecuária, ainda no comando, têm um modus operandi próprio de conduzir os negócios. Os que estão por vir são mais inseridos na era digital.

Ela destaca ainda que gestão financeira é imprescindível para a atividade, principalmente a partir de agora.

Crédito
O produtor tem de saber se vender e mostrar que é um bom risco para a instituição financeira. Há produtor que é passarinho [bom pagador] e há o que é morcego [alguém paga a conta por ele].

Ganhos
A preocupação do agronegócio não deveria ser a disponibilidade de crédito, uma vez que esse é o setor que mais cresce. Além disso, comprova ganho de produtividade e tem boa relação entre risco e retorno. Ele atrai o interesse de várias instituições financeiras.

Menos dependente
A agricultura de escala empresarial precisa entender que tem de se tornar menos dependente do governo, dada a pressão fiscal que ele tem. Quanto mais o setor se torna competitivo, mais o recurso estará à disposição.

Crédito livre
Tem de haver espaço para o crédito livre no setor, mas há segmentos, como o da agricultura familiar e de pequenos produtores, que precisam de subsídios.

Inadimplência
Aumentou com o efeito da safra 2015/16. Houve uma tempestade perfeita, unindo problemas climáticos e de produtividade. Todos os riscos se manifestaram de uma vez só. Tudo isso somado à instabilidade econômica.

Estressado
Um setor que está em franca expansão leva os tomadores de crédito a um patamar mais estressado e mais limítrofe ao endividamento, a fim de aproveitar esse crescimento. A tempestade perfeita criou estresse financeiro para quem está no limite.

Terras novas
É difícil o produtor não plantar. A grande questão que requer análise mais cautelosa, porém, é o aumento de áreas novas. Vem acompanhado de capital da terra, capital de giro e investimentos adicionais.

Cenários
O produtor é um otimista nato, mas tem de trabalhar com cenários. Anos seguidos da elevação das commodities o levaram à empolgação.

Geração de caixa
O crédito não paga a conta. O que paga a conta é a geração de caixa. Se ela vai demorar anos, o produtor tem de ter sobras para bancar o projeto que está desenvolvendo.

Gestão financeira
É essencial na agropecuária e há vários níveis. Um deles é o da "conta da safra". A conta pode ser bonita no final da safra, mas o produtor tem de atravessar todo o período da safra com eventuais variações cambiais, falta de liquidez e produção menor.

Gestão de caixa
Há quem faça gestão de caixa com entradas e saídas mensais. Já é melhor, mas tem um defeito. Dentro desse caixa podem estar misturadas contas de três safras. Não se tem noção de lucratividade.

Gestão de competência
O ideal é uma gestão de caixa bem-feita, acompanhada de uma gestão de competência. A contabilidade pode ser chata e trabalhosa, mas é necessária. Não ter essa gestão é uma das razões de o crédito estar mais caro.

Risco
A má gestão representa um risco adicional para o produtor. Não se pode eliminar 100% do risco de chuva e de preços em Chicago, mas esse risco [o da má gestão] o produtor consegue evitar.

Financeirização
Os fundos têm direito de montar e desmontar posições. Quando entram e saem do mercado, podem causar volatilidade de preços. Para se defender, o produtor tem de fazer margem média nas vendas, conforme seus custos.

Dentro da porteira
A produção comercial de larga escala no Brasil é referência mundial em sustentabilidade. Pena que só a gente saiba disso. O mundo precisaria saber.

Tecnologia
Em termos de tecnologia, o Brasil não deve nada a ninguém. Em alguns países, no entanto, devido à estrutura econômica e financeira, a tecnologia é mais acessível do que aqui, em termos de custo.

Perfil
O produtor brasileiro não tem o hábito de medir. É tudo meio improvisado. A máquina tem toda a tecnologia para medição e geração de dados, mas é preciso alguém para a leitura e a transformação desses dados em inteligência e tomada de decisão.

Virada de geração
A agricultura caminha para uma fase digital, e, com a vinda da nova geração, a virada trará eficiência no uso de dados para a tomada de decisão.

Era digital
A questão da infraestrutura é fundamental para esse passo. É necessário também aparelhar as empresas agrícolas de inteligência financeira para um melhor aproveitamento da tecnologia.

Pessoas
O desenvolvimento de pessoas deve ser visto pelo setor do agronegócio como investimento, não como despesa. A agricultura virou empresa.

Volume
O Rabobank deverá fechar o ano com um volume de crédito destinado ao setor do agronegócio próximo de US$ 3,5 bilhões. Esse valor poderá subir para US$ 4 bilhões no próximo ano, dependendo da demanda do mercado.

Participação
A América do Sul representa 19% do retorno dos resultados globais do Rabobank, e é do Brasil que se esperam o maior crescimento e a maior contribuição em termos de resultado para o banco.

Brasil
O país tem 15,3% dessa participação global do banco, acima dos 14% da Austrália e Nova Zelândia e dos 15% da América do Norte.

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Data de Publicação: 20/09/2017 às 19:40hs
Fonte: Folha de S. Paulo
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