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Produtores e técnicos são capacitados sobre temas da produção de grãos no DF

No encontro, foram tratadas questões que comprometem o alto rendimento das lavouras, além do manejo e conservação de solo e água e dos períodos e datas de plantio a partir das análises de risco climático. O evento foi realizado no auditório da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF) e contou com cerca de 40 pessoas, entre produtores, consultores, extensionistas rurais e pesquisadores que atuam na região.

O chefe geral da Embrapa Cerrados, Claudio Karia, ressaltou a reaproximação da Embrapa com setor produtivo, nos últimos anos, o que tem permitido detectar os problemas enfrentados no meio rural e o desenvolvimento de soluções tecnológicas, e o relacionamento construído com a Emater-DF e da Seagri-DF. “O arranjo que fizemos é uma oportunidade de retornar e fechar o ciclo de inovação. Esse é o papel das instituições de pesquisa e de extensão rural. Isso está sendo feito e iniciou-se com a Expedição Safra-Brasília. Com esse evento, estamos levando informações que possam ajudar os produtores a enfrentar os problemas detectados e, por fim, haverá uma fase de avaliação da eficiência e eficácia dessas ações”, comentou.

“Estamos consolidando essa rede para que possamos avançar. O setor de grãos talvez seja o mais profissionalizado na agricultura do DF, e ainda assim levantamos diversos problemas. Há muita coisa para ser resolvida e a Emater-DF, com esse trabalho, está voltando para mais perto dos produtores de grãos”, disse o presidente da instituição, José Guilherme Leal.

Para o presidente da Coopa-DF, Leomar Cenci, os temas tratados na capacitação representam a realidade do dia-a-dia do produtor de grãos no DF. “Talvez tenhamos errado muito em função da falta de informação. Agradecemos à parceria com a Embrapa, a Emater-DF e a Seagri-DF. Quando a gente trabalha junto, consegue resolver melhor os problemas”, afirmou.

Desafios

A programação do evento contou com quatro palestras proferidas por especialistas da Embrapa Cerrados. O analista João Dalla Corte fez uma contextualização sobre o cenário da produção de grãos no DF e destacou o caráter inovador da Expedição Safra-Brasília, evento coordenado pela Seagri-DF e que tem o apoio da Embrapa, da Emater-DF e da Ceasa-DF. O principal objetivo é realizar o diagnóstico e a prospecção de demandas do setor produtivo no Distrito Federal, com a análise de dados obtidos por meio de questionários aplicados junto aos produtores e de rodas de prosa, e a proposição de ações de intervenção para a pesquisa, extensão rural e política pública.

“É um trabalho feito a várias mãos pelas instituições envolvidas e pelo produtor, que é o ator principal. Todos reunidos para resolver as dificuldades que a agricultura nos impõe”, explicou Dalla Corte, que citou e comentou sobre alguns dos problemas e questões levantados nas entrevistas com 63 produtores de soja, 59 de milho safrinha e 70 de culturas irrigadas do Leste do DF realizadas em 2016. A partir do levantamento, foi estabelecido um plano de atividades técnicas, com metas e resultados esperados. Entre as metas estão as capacitações em temas detectados como dificuldades e demandas dos produtores ouvidos.

Os desafios para o estabelecimento de lavouras com alto rendimento produtivo foram abordados pelo supervisor do Setor de Implementação da Programação de Transferência de Tecnologia da unidade de pesquisa, Sérgio Abud. Ele apontou que o recordista mundial de produtividade de soja (192 sc/ha), Randy Dowdy, da Geórgia (EUA), também é recordista no milho (545 sc/ha). “É porque ele procura fazer tudo bem feito, o que chamamos de tecnologia do capricho”.

Abud focou a palestra na cultura da soja, apontando e detalhando os quatro fatores essenciais para que se possa alcançar altas produtividades (acima de 70 sc/ha) na cultura. O primeiro é a construção e manutenção do perfil do solo, com correção da fertilidade em profundidade, o aumento da atividade biológica do solo e a adoção de sistemas integrados com rotação de culturas, o que permite formação de palhada e o aprofundamento das raízes. O segundo fator são cultivares geneticamente adaptadas à região, com o uso de variedades produtivas, resistentes a pragas e doenças e estáveis, que devem ser posicionadas para cada talhão.

O arranjo de plantas, com excelência na qualidade do plantio observando a plantabilidade, o vigor e o tratamento das sementes é o terceiro fator. E o quarto é manter as folhas saudáveis até o estágio R6, com o manejo adequado de pragas e doenças e o controle de plantas invasoras e voluntárias, garantindo a disponibilidade de fotoassimilados para o crescimento dos grãos. Abud afirmou que a forma de interpretação das diversas práticas no manejo da lavoura para altos rendimentos mudou. “Antigamente, a agricultura era tida como um quebra-cabeça em que cada peça representava uma prática. Hoje, pode-se considerá-la um cubo mágico: cada peça que se move afeta outras”, comparou.

Manejo de água e solo

O pesquisador Marcos Carolino de Sá falou sobre a importância do manejo e conservação de solo e água como base para a produção agrícola. Ele explicou que o solo, ao estar completamente coberto com vegetação, tem a condição ideal para manter a umidade e resistir à erosão, desde que a cobertura seja contínua e o solo bem permeado com raízes. Com isso, há o aumento da matéria orgânica do solo, melhorando a capacidade de retenção de água e favorecendo sua infiltração. Nesse sentido, ele citou diferentes sistemas que proporcionam essa condição, tais como Sistema Plantio Direto (SPD), segunda safra de grãos e “safrinha de boi” e consórcios de culturas como o cafeeiro e braquiárias.

O pesquisador apontou que a aplicação harmônica dos elementos de manejo do solo – correção da acidez superficial e subsuperficial, adubação corretiva e de manutenção, rotação de culturas e práticas conservacionistas e dinâmica de sistemas de preparo – permitem uma agricultura produtiva e sustentável. “O que falta, na maioria dos casos, é a aplicação correta das tecnologias existentes. Ou seja, é a tecnologia do capricho”, observou.

Carolino apontou os fatores que provocam a erosão hídrica – chuva, resistência do solo, relevo, cobertura do solo e manejo (e suas respectivas variáveis) – e práticas para reduzi-la, como o SPD, que mantém o solo coberto e sem revolvimento, e práticas mecânicas complementares, o terraceamento, que contribui para a conservação de água e pode ser dimensionado para comportar o SPD e o maquinário agrícola moderno, além do plantio em nível.

Ao falar sobre compactação do solo, o pesquisador lembrou que a umidade é um fator condicionante – quanto mais úmido o solo, maior o risco de compactação pelo tráfego de máquinas, que deve ser evitado em solo muito úmido. Além disso, medidas como escarificação e subsolagem não devem ser adotadas com base meramente em percepções. Ele explicou ainda que a resistência à penetração varia conforme a umidade, o teor de argila e a densidade do solo, e nem sempre está relacionada à compactação do solo, pois no próprio SPD ela é aumentada devido à maior estruturação do solo. “A grande importância de manejar e conservar o solo no Cerrado não é apenas de garantir produtividade, mas também para minimizar a pressão sobre áreas nativas remanescentes e contribuir para a disponibilidade hídrica dos biomas vizinhos”, concluiu.

Minimização do risco climático

A última palestra foi do pesquisador Fernando Macena, que falou sobre as datas de semeadura e o risco climático para as culturas da soja, do milho e do trigo sequeiro para o Distrito Federal e Goiás. Ferramenta de gestão desenvolvida pela Embrapa Cerrados, o zoneamento agrícola de risco climático (ZARC) se tornou uma política pública do Ministério da Agricultura, pecuária e Abastecimento que baliza a concessão do seguro agrícola para diversas culturas no Brasil.

A análise do risco climático considera o balanço hídrico da cultura, tendo como parâmetros de entrada componentes de clima, de solo e da cultura. Fatores não-climáticos também são levados em conta, como o zoneamento ecológico econômico do Estado, o vazio sanitário da soja e restrições sanitárias à soja safrinha. A partir desses dados, são indicadas datas de plantio e semeadura que possam representar menores riscos de perdas causadas por adversidades climáticas incontroláveis, como chuvas, geadas, granizo e seca, durante os períodos de germinação das plantas e de enchimento dos grãos. “É uma ferramenta de gestão de risco que, além de minimizar os riscos dessas perdas, é indutora de adoção de tecnologias, incentiva a expansão de culturas e regiões, contribui para a redução dos gastos públicos, permite o redirecionamento e melhor alocação de recursos para os empreendimentos rurais viáveis e a formulação efetiva de uma política agrícola”, disse Macena.

Como exemplos práticos, ele apresentou mapas de risco climáticos das três culturas, apontando os decêndios (períodos de 10 dias) de alto e de baixo risco para o plantio no DF e em municípios de Goiás, de acordo com o ciclo da variedade considerada, o tipo de solo e o clima. “Agora estamos propondo ao governo a adoção de tecnologias para aprofundamento das raízes das culturas para que os bancos possam conceder alíquotas mais baixas”, informou o pesquisador.

A capacitação foi encerrada com o debate dos participantes com os palestrantes, com participação do pesquisador João Kluthcouski e do extensionista da Emater-DF, Sebastião Márcio de Andrade. A próxima capacitação será realizada no dia 4 de outubro no CTG Sinuelo da Saudade, no PAD-DF, com a palestra do pesquisador Rafael Nunes sobre manejo da fertilidade do solo.

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Data de Publicação: 03/10/2017 às 16:20hs
Fonte: Embrapa Cerrados
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