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Produção de flores muda a vida de agricultores familiares no MT

A temperatura média do estado de Mato Grosso, durante a maior parte do ano, é de 27ºC, enquanto as máximas podem chegar a 33ºC. O clima, segundo especialistas, não favorece a produção de flores, no entanto, se tornou o fio condutor de um trabalho da Empresa Matogrossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), em parceria com outras instituições. A iniciativa deu espaço para o surgimento do projeto Flores Tropicais, uma forma de agricultores familiares diversificarem a base de produção e levarem ainda mais valor ao plantio, em meio a belezas e perfumes.

Segundo a pesquisadora da Empaer Eliane Forte Daltro, os estudos começaram em 2009, no campo experimental da instituição, no município de Acorizal. As técnicas foram elaboradas a partir do plantio das primeiras mudas. Depois de observar como cresciam, foi criado um plano de manejo específico para cada planta, como uma forma de otimizar o desenvolvimento delas. Mudas de strelitzia, heliconia, bastão do imperador, alpinia e antúrio foram utilizadas no projeto que, agora, segue com os estudos voltados para as mudas de orquídea.

“Vimos uma oportunidade de levar aos pequenos produtores uma alternativa de renda. Buscamos espécies de flores que se adaptam ao nosso clima e solo e, depois, investimos nas pesquisas de espaçamento, sombreamento e observação. Hoje, o projeto é uma realidade, pois nós temos produtores que vivem apenas da renda das flores”, explica Eliane.

Flores de Gileade

Na zona rural de Cuiabá, o agricultor familiar Paulo Augusto Beneth, de 57 anos, tornou a floricultura sua atividade exclusiva, junto do projeto Flores Tropicais. Depois de 30 anos trabalhando como bancário, Paulo afirma ter encontrado mais conforto, felicidade e qualidade de vida no novo emprego, de agricultor. “Investimos em várias coisas no início, gado de leite, hortaliças, frango, mas o único projeto que perdurou foi o das flores. Chegamos a um momento em que percebemos que era isso que faria a diferença. E, de fato, é o que nos faz feliz hoje”, comemora o agricultor.

No sítio Flores de Gileade são produzidas cerca de 30 variedades de plantas. Entre elas, o bastão do imperador vermelho e de porcelana, alpinias rosas e vermelhas, sorvetão (gengibre ornamental), flores de vidro, musas coccíneas, sete variedades de helicônias, cotus, antúrios e murtas. Segundo Paulo, o nome do local é especial. “Gileade é uma região que aparece muito na Bíblia, como um lugar onde as pessoas iam buscar aromas, águas purificadoras, perfumes, bálsamos. A propriedade tinha esse significado para mim. Era o que eu estava buscando. Sei que ela cumpre aquilo que eu sonhei, integralmente”, comenta o agricultor.

Atualmente, a família Beneth vive da produção das flores, que são entregues para decoradores de todo o estado, além de hospitais, hotéis, clínicas e casas particulares. A atividade tem dado tão certo que Paulo convidou a filha, que morava em Porto Alegre (RS), para trabalhar com eles. O pedido foi aceito pela jovem e, hoje, ela cuida das encomendas e ajuda a promover eventos. “Foi assim que fomos reconquistando um mercado que tinha desacreditado nas flores tropicais. Agora temos total credibilidade dos decoradores em todo Mato Grosso”, afirma. As Flores Tropicais tornaram-se uma porta para que outros projetos fossem implantados no sítio da família. Alunos da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) desenvolvem estudos na área de economia, contabilidade e agronomia.

Ater

A Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) é parceira das intuições que prestam Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) aos agricultores familiares de todo país. Assim, cada pesquisa aplicada, além de contar com um pesquisador, também conta com um ou mais técnicos de Ater que repassam os ensinamentos aos agricultores. Com o projeto Flores tropicais, não foi diferente.

A extensionista da Empaer, Elicineia Aparecida Fortes, de 60 anos, é uma das que ajudou nesse processo, mostrando aos agricultores familiares que a floricultura poderia ser um atrativo a mais para as propriedades rurais, principalmente para aquelas que já eram voltadas ao agroturismo. Há 32 anos no ramo, ela enxerga a pesquisa como parte fundamental para a realização do seu trabalho.

“A pesquisa contribui com a extensão rural porque surge de uma demanda que nós identificamos junto aos produtores. Então, ela é o resultado, a solução que a gente aplica no campo, o nosso instrumento de trabalho. É por meio dela que conseguimos orientar o produtor da melhor forma possível”, fala a extensionista.

Investimentos

Um dos 10 eixos do Plano Safra da Agricultura Familiar 2017/2020 da Sead é Ater. Esse serviço está presente no Brasil há mais de 80 anos, em todas as etapas da agricultura familiar. Produtores de mais de 5 mil municípios recebem essa assistência, por meio de um efetivo de quase 20 mil profissionais. Saiba mais sobre o Plano Safra aqui.

Em 2016, para fomentar ainda mais esse serviço, a Sead repassou R$52 milhões a empresas públicas de Ater, viabilizando a compra de cerca 2 mil veículos e computadores portáteis.

Dentro do planejamento do novo Plano Safra, o objetivo da Sead é atender 128 mil famílias: 60 mil pelo Programa Dom Helder Câmara no Nordeste, Norte de Minas Gerais e Espírito Santo; 50 mil famílias nas demais regiões do Brasil; e 18 mil famílias de povos e comunidades tradicionais. Além disso, a expectativa também é assistenciar 1.012 organizações, entre cooperativas e associações, por meio do Programa Ater Mais Gestão.

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Data de Publicação: 07/08/2017 às 18:50hs
Fonte: Assessoria de Comunicação Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
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