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Pecuária leiteira: Setor busca meios para crescer

No seminário “Repensando o futuro da produção de Leite”, foram discutidos temas como a nanotecnologia, sustentabilidade, implantação de tecnologias de ponta, a necessidade de reformulação do sistema sindical, e a promoção da sucessão familiar. O evento foi promovido pela FAEMG e pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, unidade Gado de Leite).

De acordo com o presidente da Comissão Nacional de Leite da CNA (Confederação da Agricultura do Brasil), Rodrigo Alvim, a pecuária leiteira precisa avançar para acompanhar o desenvolvimento de outros setores que, além de abastecerem o mercado interno, também exportam, como as carnes, o café e o setor sucroalcooleiro. Promover a aproximação do setor leiteiro com o meio acadêmico e as entidades de pesquisa é uma das formas de conhecer o que há de novo no mercado e implantar nas fazendas.

“Nós queremos repensar a produção primária do leite. Para isso, o evento abordou temas atuais e futurísticos incluindo a nanotecnologia, a transformação dos resíduos – que sempre foram um problema nas fazendas - em produtos e também a sucessão familiar que é um grande desafio do setor. O setor precisa de políticas públicas e o produtor tem que correr atrás do desenvolvimento, porque diferente das outras áreas do agronegócio, o setor leiteiro está ficando pra trás. Nosso objetivo é dar um choque, repensar a atividade trazendo a academia e a pesquisa para junto do setor para começarmos a entender qual é o caminho e fazer do Brasil um exportador de leite”.

Medicamentos

Dentre as inovações voltadas para a pecuária de leite, o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Humberto Brandão, mostrou como a nanotecnologia tem papel importante no desenvolvimento de produtos, principalmente de medicamentos. Entre as vantagens, está a possibilidade de produzi-los com doses menores e com ação ágil e mais eficaz, contribuindo para a cura rápida do animal e para a redução de efeitos colaterais.

Outro assunto abordado foi o aproveitamento dos resíduos gerados pelos animais. O pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Marcelo Otênio, apresentou aos pecuaristas os sistemas utilizados. Segundo ele, com a instalação de biodigestores, é possível reaproveitar os resíduos e promover a transformação dos mesmos em produtos, como o biogás e os biofertilizantes. Além do sistema ser sustentável e contribuir para a preservação do meio ambiente, o biofertilizante reduz o uso de químicos na produção agrícola, seja de capim, cana-de-açúcar ou milho, gerando economia e favorecendo uma produção mais competitiva.

Sucessão – Outro grande desafio é a sucessão para a continuidade dos negócios familiares no campo, principalmente da atividade leiteira, que tem grande importância econômica para Minas Gerais.

De acordo com o assessor de planejamento do SENAR MINAS, Celso Furtado, o assunto é prioridade na pauta da agropecuária contemporânea. Em Minas Gerais, está em fase de implantação o Projeto Sucessão no Campo, que tem como objetivo formar sucessores e preservar a continuidade do negócio familiar. A descontinuidade da atividade tem como um dos fatores a falta de interesse dos jovens, o que muitas vezes está relacionada à baixa rentabilidade, ao desconhecimento da importância da agropecuária na economia do País e ao baixo investimento em gestão.

“O projeto vem colaborar, através da preparação do jovem, para o processo de sucessão. Os envolvidos passam por um processo que inclui ações motivacionais, de capacitação técnica, diagnóstico das fazendas e formulação de ações a serem desenvolvidas pelo sucessor e sucedido”, explicou Furtado.

Sistema sindical precisa ser reformulado

Durante o seminário “Repensando o futuro da produção de Leite”, realizado nesta sexta-feira pela FAEMG e Embrapa Gado de Leite, foi apontada a necessidade de se repensar o funcionamento dos sindicatos. O presidente da Faemg, Roberto Simões, explica que a federação tem sido muito importante para os produtores rurais, inclusive, no caso do leite, promovendo a assistência técnica, como o Programa Balde Cheio. Porém, é preciso avançar.

Para Simões, a contribuição sindical obrigatória, que existe hoje, não deveria acabar de uma hora para outra, o que provocaria o fechamento dos sistemas, como os sindicatos, a FAEMG e CNA, por exemplo, que têm a contribuição como principal fonte de renda.

“No mundo inteiro a contribuição é espontânea, o que vai acabar acontecendo no Brasil. Como isso, teremos que rever nosso sistema, criando um sindicalismo mais moderno, mais eficiente, de resultado do ponto de vista de prestar mais serviços ao produtor para que ele faça a adesão voluntária. No caso do leite, acreditamos que teríamos uma adesão importante. Se não fosse esse sistema, não teríamos eventos como a Megaleite e tantos outros que apoiamos. Temos que repensar, criar coisas novas, mas precisamos nós manter juntos porque isolados não teremos futuro”, disse Simões.

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Data de Publicação: 07/07/2017 às 12:20hs
Fonte: Diário do Comércio
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