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Orgânicos: mercado com credibilidade e responsabilidade

Atravessamos um momento não muito favorável ao que podemos dizer sobre credibilidade e ética em nosso dia a dia. A questão da ética, em nosso caso, envolve o mercado como um todo e não apenas de uma parte da cadeia produtiva. Ela é mais do que simplesmente um dever legal, mas uma característica natural do segmento, na sua essência e nos seus fundamentos. Todos têm seu papel independentemente de sermos o servidor ou o servido.

Ouvimos, diariamente, as empresas com áreas de Compliance, Responsabilidade Social, governos com suas áreas de auditoria, procuradoria, ouvidoria e, mesmo assim, a credibilidade não parece ser o que esperaríamos. Pessoas, empresas e governos de países passam por esta avaliação.

Há algumas semanas, sentimos na pele (bem próximos a nós) sobre a atuação de fiscais do Ministério da Agricultura no processo de aprovação e liberação de frigoríficos. Este incidente abala não somente quem compra, seja ele do exterior ou no mercado doméstico, mas a todos nós, consumidores e que no final pagamos pelo serviço.

Não cabe a este espaço falar sobre ética e responsabilidade, pois traria um Leandro Karnal ou Mario Sergio Cortela, entre dezenas de outros historiadores e filósofos frequentes nas mídias, para a discussão dos fundamentos. Cabe sim fazer a provocação e alertar: como a nossa atuação no setor, seja como produtor, processador, educador ou consumidor, pode mudar e exercitar mais a ética na sua essência?

Até 2011, ano em que houve o processo da regulamentação da Lei 10.831, o mercado do setor de orgânicos vivia muito desta credibilidade. Podemos destacar como exemplo, principalmente, as empresas com produtos processados ou com embalagem, que utilizavam a credibilidade do mercado com selos de certificadoras privadas, selos de sustentabilidade voluntários e de atestados internacionais para demonstrar sua ética e credibilidade. Selos como do USDA ou da Comunidade Europeia ou até de uma certificadora eram comuns nos rótulos, até que, em 2011 veio a obrigatoriedade da utilização do selo SISORG de Produto Orgânico, que poucos ainda conhecem ou a identificam.

"Preocupante, porém, é que apenas 8% dos consumidores informaram terem utilizado o selo SISORG como referência para a compra do produto."

Já se foi o tempo em que podíamos confiar apenas na palavra, mas ainda vivemos em parte esta cultura: é só ir a uma das mais de 600 feiras orgânicas espalhadas no país, e observamos que esse processo ainda existe, pois quando o consumidor inicia a conversa com o produtor, passa a conhecê-lo pelo nome, alguns se encontram semanalmente, outros se tornam amigos, perguntam: qual é a boa da semana, produtos específicos da época ou item que por algum motivo tenha uma quebra na semana e não tenha sido colhido, enfim, são os momentos que o consumidor tem para ainda buscar um pouco de civilidade e acreditar no próximo, sem a necessidade de alguém para garantir que todos estão “em conformidade” ou “em aderência” aos propósitos de cada um.

Trazemos este assunto para demonstrar os resultados da primeira pesquisa nacional de consumidor que o Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (ORGANIS) realizou, no período de março a abril, apontando que a grande maioria dos consumidores acaba sabendo que o produto é orgânico na loja ou no local de compra. Desse total, cerca de 30% dos consumidores percebem o produto como orgânico pela orientação ou informação obtida por um atendente no ponto de venda e quase 40% percebem o produto como orgânico através da rotulagem ou embalagem do produto. Preocupante, porém, é que apenas 8% dos consumidores informaram terem utilizado o selo SISORG como referência para a compra do produto.

"o boca a boca ainda é muito importante na formação do conceito para o consumidor"

AutorEste fato nos traz a conclusão de que o boca a boca ainda é muito importante na formação do conceito para o consumidor, fortalecendo também a impressão de que uma boa embalagem e a informação de mídia moldam as impressões dos consumidores, seguidas de experiências vividas. O reconhecimento do selo SISORG é maior na região Sul, onde 14% dos consumidores apontaram sua importância no processo de compra.

Quando perguntados sobre o reconhecimento ou lembrança de ver o selo na embalagem após a compra, este número foi um pouco maior: 45% lembram ter visto o selo, porém 55% não indicaram ter visto. O resultado mostrou que na região sul a percepção do selo é maior com cerca de 60% dos consumidores, sendo que no Nordeste foi registrado o menor índice, pouco mais de 17% afirmaram o reconhecimento.

O Decreto Lei 10.831 institui a obrigatoriedade do uso do selo SISORG em todas as embalagens, e na pesquisa foi apontado que em média 80% dos consumidores sabiam que a aplicação do selo na embalagem era obrigatória e 71% dos que compraram o produto utilizaram o selo como um dos atributos para sua decisão de compra.

Estes dados apontam como devemos seguir com a ação de esclarecimento, educação e orientação junto ao mercado para que possamos continuar a construir e manter a credibilidade do segmento.

Certificações

Cabe lembrar de que o Selo SISORG tem a aplicação em três casos distintos de conformidade e que todos os consumidores devem conhecer. Todos os produtores e produtos certificados por auditoria, através de certificadoras privadas homologadas pelo Ministério da Agricultura, têm a obrigatoriedade de utilizar o selo SISORG com a denominação “por auditoria” ao lado do logo do selo. A grande maioria dos produtos in natura e industrializados (e que podem ser exportados) utiliza deste sistema de conformidade por auditoria para a certificação.

"o Brasil tem se destacado neste sistema de certificação, que promove a inclusão social de pequenos e agricultores familiares na cadeia"

A segunda forma de certificação se dá pelos organismos participativos (SPG – Sistemas Participativos de Garantia), ou seja, grupo de produtores devidamente registrados e fiscalizados pelo MAPA, se organizam e se auto certificam entre os seus produtores, e neste caso o selo SISORG aparece com a denominação “por sistema participativo”. Produtos de associação de produtores e cooperativas são os que mais encontramos neste tipo de Certificação. Cabe ressaltar que o Brasil tem se destacado neste sistema de certificação, que promove a inclusão social de pequenos e agricultores familiares na cadeia, sendo referência para implantação deste modelo em outros países.

O terceiro caso e onde o selo de conformidade não aparece de forma direta são os OCS – Organismos de Controle Social. Esta modalidade envolve o registro direto dos pequenos produtores junto ao Ministério da Agricultura, representados pelos milhares de produtores presentes nas feirinhas com venda direta ao consumidor.

Nas feiras orgânicas, onde se vendem a granel e muitas vezes não há embalagem ou rótulo individual, não há a obrigatoriedade da aplicação do selo no produto, porém todos os produtores têm que apresentar seu registro e licença do MAPA, como produtor orgânico, em local visível ou caso seja solicitado pelo consumidor.

Claro que em um modelo ideal, poderíamos viver sem ter selos, carimbos e atestados de conformidade, para checar em cada momento, e nos basearíamos nos relacionamentos pessoais e diretos e que cada vez são mais raros e difíceis, mas essa volta aos princípios ainda é possível e existe. Por isso, convido para que visitem uma das mais 600 feiras orgânicas espalhadas pelo país e vivenciem esta oportunidade.

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Data de Publicação: 17/08/2017 às 19:40hs
Fonte: Globo Rural
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