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O desafio da alimentação de fêmeas suínas em lactação

Durante a fase de gestação, o desafio é fornecer quantidade adequada de nutrientes para a manutenção e a recuperação de eventuais perdas de reservas corporais ocorridas na lactação anterior e para o desenvolvimento dos tecidos fetais. Além disso, é preciso evitar o excesso de nutrientes, com o objetivo de minimizar os custos de produção e impactos ambientais.

Durante a fase de maternidade o desafio é ainda maior, pois é nesse período que o animal tem mais demanda por nutrientes para a produção de leite. Os principais desafios são desmamar um número elevado de leitões com alto ganho de peso, minimizar as perdas corporais da matriz para que tenha um período de intervalo desmame-estro reduzido e, consequentemente, um número elevado de ovulações no próximo ciclo.

De maneira geral, o consumo das matrizes durante a lactação é estimado, pois não são realizadas pesagens da quantidade real de ração ingerida por elas. Portanto, o primeiro passo para se certificar de que as porcas estão se alimentando adequadamente é mensurar o consumo efetivo, desconsiderando o desperdício. Os métodos de avaliação em algumas granjas são baseados apenas na quantidade entregue pelo caminhão (desaparecimento de ração) em determinado período de tempo – e, por isso, deve-se ter muito cuidado ao analisar esse tipo de informação, que não considera o desperdício.

A partir do momento em que se conhece o consumo real, é possível realizar ajustes nas concentrações dos nutrientes de maneira a atender a todas as demandas nutricionais. Esses ajustes são fundamentais, pois o consumo de ração pode variar entre algumas genéticas e também pode ser influenciado por outros fatores, como, principalmente, a temperatura ambiental da instalação.

Recomenda-se que a quantidade de alimento durante a lactação seja liberada a partir do terceiro dia pós-parto. Dessa forma, as fêmeas tendem a comer mais, desde que as demais condições (ambiente, tipo de comedouro e fornecimento de água) não sejam limitantes (Bortolozzo & Wentz, 2005). A maior vantagem do consumo à vontade é percebida em fêmeas de primeiro parto e durante o verão (Van Eechoud, 1994).

É de conhecimento geral que a ingestão de ração está diretamente ligada à produção de leite e, consequentemente, ao desempenho dos leitões. Experimentos demonstraram que leitegadas amamentadas por matrizes que apresentaram queda no consumo de, no mínimo, 1,6 quilo por pelo menos dois dias tiveram menor peso ao desmame em relação àquelas provenientes de matrizes que apresentaram consumo estável durante a lactação (Koketsu, 1996).

O efeito da nutrição sobre a produção de leite torna-se mais evidente de acordo com a progressão da lactação, ou seja, à medida que ela avança, o impacto do aumento no consumo alimentar torna-se mais importante. Koketsu (1997) demonstrou que um incremento de 1 quilo de ração por dia durante a primeira semana de lactação resultou em um aumento de 330 gramas no peso da leitegada ao desmame, enquanto que na segunda e na terceira semanas propiciaram um incremento de 510 e 740 gramas, respectivamente.

A demanda energética da matriz para a produção de leite pode chegar até 100% do total da energia consumida. Por exemplo: uma fêmea que ingere 20.700 Kcal por dia pode utilizar tudo isso em apenas um dia para produzir leite. Essa característica demonstra a grande necessidade energética da matriz. Fica claro, dessa forma, que esse processo é prioritário e que os demais tecidos ficam em segundo plano. Mesmo ocorrendo um consumo adequado de energia, ocorre uma mobilização de reservas corporais.

Outro ponto importante é o efeito da ingestão proteica e energética no crescimento e no desenvolvimento do aparelho mamário. A ingestão de 16,9 Mcal de energia metabolizável e de 55 gramas de lisina por dia é positiva para o desenvolvimento das glândulas mamárias. Ao longo da lactação, com o aumento do consumo, há um maior crescimento dessas glândulas. Fisiologicamente, o consumo de ração é menor após o parto e aumenta com o passar do tempo.

A alimentação pode ser afetada por alguns fatores, dos quais a temperatura ambiental é o mais importante. Nos períodos quentes do ano, a alta temperatura é responsável por grande parte dos problemas relacionados à ingestão de ração na maternidade pelas matrizes. Segundo Bortolozzo & Wentz (2005), para cada grau acima da zona de conforto o consumo diminui de 300 Kcal a 400 Kcal de energia digestível por dia. Além disso, as altas temperaturas interferem na produção de leite.

A ingestão de água também sofre influência do calor. Animais sob estresse térmico podem aumentar a relação litros de água por quilos de ração ingeridos de 3:1 para 5:1. Quando as porcas são submetidas a ambientes com diferentes temperaturas, é possível notar diferenças nos pesos dos leitões desmamados, bem como diferença na quantidade de alimento consumido por elas (Messias de Bragança et al, 1998).

Por Hélio Silva e Tiago Mores, Consultores Técnicos de Suínos da Cargill Nutrição Animal

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Data de Publicação: 10/08/2017 às 15:20hs
Fonte: Nutron
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