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Indústrias investem na biotecnologia

“A biotecnologia industrial está aqui para mudar o mundo”. A afirmação categórica foi feita pelo presidente da Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial (ABBI), Bernardo Silva, na palestra-magna de abertura do IV Encontro de Pesquisa e Inovação da Embrapa Agroenergia (EnPI 2017), que aconteceu de segunda a quarta-feira desta semana (25 a 27/09), em Brasília/DF. O evento contou com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP/DF) e da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio).

Tema do evento, a biotecnologia industrial, segundo a ABBI, prevê utilização de enzimas e microrganismos para aprimorar os processos industriais e gerar materiais e produtos de alto valor agregado, em setores tão diversos como o de químicos, papel e celulose, mineração, têxteis e energia. As soluções atuais de biotecnologia industrial fornecem uma contribuição vital na transição das atuais práticas econômicas não-sustentáveis, para sistemas industriais renováveis – a economia circular e de base biológica – aliando inovação e sustentabilidade para a solução dos principais desafios globais. A transição de um modelo de produção de base fóssil para um de base biológica tem sido apontada como estratégica para reduzir pelo menos a velocidade das mudanças climáticas.

Silva apresentou dados que apontam a elevação do Produto Interno Bruto (PIB) global para US$ 206 trilhões em 2030 – em 2011, era equivalente a US$ 79,39 trilhões. O problema é que, historicamente, as emissões de gases de efeito estufa crescem no mesmo ritmo do PIB. “Nós acreditamos que a biotecnologia industrial está aqui para resolver esse problema”, disse o presidente da ABBI.

Atualmente, o mercado farmacêutico é um dos maiores clientes dos produtos biotecnológicos, de acordo com dados apresentados pelo assessor de Produção e Inovação em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Jorge Carlos da Costa. Embora os derivados da petroquímica ainda constituam as principais matérias-primas dos medicamentos, é na biotecnologia que o setor está encontrando soluções para a necessidade de terapias mais especificas decorrentes do envelhecimento da população. A expectativa é que, em 2020, dos 50 medicamentos mais vendidos, 80% tenham origem na biotecnologia.

Com a tendência de aumento do uso desses medicamentos, Costa chama atenção para a necessidade de um grande esforço de pesquisa para o desenvolvimento de soluções nacionais nessa área, especialmente por causa dos recursos públicos aplicados na saúde. Em 2014, apenas 12% dos medicamentos adquiridos pelo Ministério da Saúde eram de base biotecnológica; no entanto, eles consumiram mais de 60% do orçamento para essa compra. “Se nós não nos unirmos, podemos estar caminhando para o colapso no fornecimento de medicamentos pelo SUS”, alertou.

Cosméticos

Outro segmento que tem direcionado suas atenções para a biotecnologia é o de cosméticos. “É um mercado ávido por inovação e com muito espaço para a biotecnologia crescer”, ressaltou a pesquisadora da Embrapa Agroenergia Patrícia Abrão de Oliveira. Em busca desse mercado, instituições e empresas têm apostado nas pesquisas com microalgas. A start up americana TerraVia, que estabeleceu sua unidade de produção no Brasil, está comercializando óleos e outros produtos obtidos de uma espécie geneticamente modificada para grandes indústrias da área, mostrou a diretora de assuntos regulatórios da empresa, Alda Lerayer.

Na Universidade de São Paulo, o professor Pio Colepicolo Neto, também se dedica ao estudo de algas para aplicação em biotecnologias e tem buscado seus objetos de estudo até na Antártida, com a equipe brasileira que desenvolve pesquisas no continente. Mais do que nas algas, contudo, ele está interessado no que podem produzir os fungos que nelas vivem.

Mesmo empresas consolidadas no segmento químico estão buscando a biotecnologia para permanecer no mercado cada vez mais demandante por sustentabilidade. A Solvay, que surgiu em 1863 produzindo soda cáustica, hoje mantém área de pesquisa dedicada a encontrar novos produtos a partir de resíduos da produção agropecuária, óleos e microrganismos. A engenheira bioquímica Priscila Maziero, do centro de pesquisa da multinacional, conta que a empresa está firmando parcerias com instituições mais experientes em biotecnologia para projetos de inovação, a exemplo da Embrapa Agroenergia.

Nutrição animal

A aplicação da biotecnologia em produtos para alimentação animal foi outro tema que ganhou destaque no evento. O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves Everton Krabbe explicou que enzimas têm sido usadas há muitos anos para que os animais consigam digerir componentes dos vegetais. “As fitases foram as primeiras enzimas utilizadas comercialmente. Quando na condição ideal de temperatura e pH, normalmente encontradas nos estômagos dos animais, elas atuam na quebra do fitato e liberam uma série de moléculas de fósforo e, em menores quantidades, cálcio, manganês, magnésio, zinco, cobre e alguns aminoácidos”, lembrou.

Ao longo dos anos, outras classes de enzimas foram sendo adicionadas às rações para permitir a absorção de outros nutrientes, o que não significa que o espaço para inovação acabou. “Essa é uma ciência viva, ela não para”, afirmou o diretor de Inovação e Ciência Aplicada para o Brasil e a América Latina da DSM, Luis Fernando Tamassia. Atualmente, as empresas já estão se debruçando sobre as diferentes características de biomassas produzidas em determinadas regiões e como elas interferem no desempenho das enzimas. “O milho que se produz no Paraná não é igual ao que se produz em Goiás”, ressalva.

Pesquisador da Biorigin, o zootecnista João Fernando Koch falou sobre como a biotecnologia pode fazer com que as rações promovam a saúde intestinal dos animais, o que é essencial para o produtor rural obter bons rendimentos. Para os consumidores de rações para pets, a preocupação é a saúde e a longevidade dos animais. O professor Marcio Brunetto, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), diz que, nos Estados Unidos, os donos de cães e gatos já estão se dispondo a pagar mais por produtos enriquecidos com pré-bióticos, por exemplo. A expectativa é que os brasileiros sigam a tendência.

Eixos de pesquisa

A Biotecnologia Industrial é um dos eixos de pesquisa da Embrapa Agroenergia. “O que agroenergia tem a ver com isso? A primeira resposta é o etanol de segunda geração, mas nós atuamos em várias frentes para a transformação da biomassa”, esclareceu pesquisadora Simone Mendonça, coordenadora do EnPI 2017.

“A grande aposta da unidade é que, no século XXI, acontecerá uma descarbonização da economia. Estamos aqui para auxiliar a sociedade brasileira a chegar nesse estágio e a estar na vanguarda”, afirmou o chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da instituição, Bruno Brasil.

Os outros eixos de atuação do centro de pesquisa são: Biomassas, Química de Renováveis e Materiais Renováveis. “Eu diria que 60% ou mais da nossa programação é voltada para o setor industrial”, revelou o chefe-geral da instituição, Guy de Capdeville.

Vitrine

Na abertura do EnPI, a analista Soraya de Araújo, assessora do Diretor de Transferência de Tecnologia da Embrapa, Cléber Soares, destacou a Vitrine de Tecnologias da Embrapa Agroenergia e a possibilidade que o evento abre para receber feedback do setor produtivo sobre os ativos nela apresentados. “É nesses fóruns que a gente fomenta e cria os ambientes de inovação”, avaliou. “Eventos dessa magnitude mostram o quanto é importante o apoio à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação”, completou o presidente da Federação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP/DF), Wellington Lourenço de Almeida.

O diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Celso Moretti, destacou o empenho da equipe em realizar o EnPI. “Quando vemos o quarto encontro ocorrendo, vemos uma constância de propósito da equipe”, elogiou. Dirigindo-se ao grande número de estudantes na plateia, grande parte colaboradores da Unidade, ele lembrou o trabalho feito no Brasil desde a década de 1970, que levou ao sucesso da agropecuária: “Sempre que temos jovens, vale a pena falar do que é o agronegócio brasileiro. Saímos de um país que vivia em insegurança alimentar para nos transformarmos em um dos grandes players do mundo. Nós temos que ter muito orgulho do que o País fez nos últimos 40 anos, transformando a realidade do campo, transformando a sociedade”.

Trabalhos

O EnPI também contou com a apresentação de trabalhos realizados na Embrapa Agroenergia, por colaboradores orientados pela equipe da Casa. Neste ano, eles apresentaram uma ampla gama de temas na área de Agroenergia, Biotecnologia, Química e Tecnologia de Biomassa, tais como enzimas e microrganismos para produção de biodiesel e produtos químicos, reforma de biogás, diesel verde, microalgas, aproveitamento de coprodutos da cadeia agroenergética, entre outros assuntos.

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Data de Publicação: 02/10/2017 às 13:20hs
Fonte: Embrapa Agroenergia
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