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Indústria do biodiesel deve crescer 18%, mas ainda terá ociosidade alta

O acréscimo de um ponto percentual na mistura de biodiesel ao diesel mineral deve adicionar 700 milhões de litros do biocombustível ao mercado nacional no ano, alta de 18% ante 2016. Ainda assim, a indústria segue com capacidade ociosidade acima de 40%.

A medida foi publicada no inicio deste mês no Diário Oficial da União (DOU) e fará com que o Brasil passe a produzir e comercializar o B8, nome dado de acordo com o percentual da mistura, que agora corresponde a 8%. A expectativa do setor é encerrar 2017 com até 4,5 bilhões de litros produzidos, enquanto o potencial de processamento é de 7,2 bilhões.

"A fabricação foi diminuindo nos últimos anos de acordo com o consumo. A recessão econômica reduziu a demanda pelo combustível fóssil e, em consequência, baixou as vendas de biodiesel", explica o superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski.

O último leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente ao segundo bimestre, comercializou 622 milhões de litros de biodiesel. Em 2015, os leilões vendiam em torno de 700 milhões de litros, lembra o executivo da Ubrabio. Desta forma, "mesmo com a elevação nos percentuais que traz um benefício iminente para a indústria nacional, ainda estamos aquém das vendas de um período em que estávamos no B4 [4% de mistura]", enfatiza.

Alternativa

Ainda de acordo com a medida federal, as composições estão previstas para avançar 9% e 10%, respectivamente, a partir de 1º de março de 2018 e doze meses depois, em 2019, informou o Ministério de Minas e Energia (MME).

Para reduzir a capacidade ociosa - que, inclusive, desencadeou o fechamento de diversas usinas - Tokarski sugere que os 9% venham ainda neste ano, em meados de julho, e os outros 10% em março de 2018.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou e está em vigor o uso voluntário de B20 (proporção de 20% na mistura) no transporte rodoviário cativo, frotas de ônibus de transporte coletivo urbano ou municipal e estadual, caminhões de coleta de lixo, por exemplo, e de B30 no transporte ferroviário e em máquinas dos segmentos industriais e agrícolas.

Mesmo com os gargalos, o Brasil é um dos dois maiores produtores deste tipo de combustível, ao lado dos Estados Unidos, somente com a chegada do B8. Com isso, os tradicionais produtores europeus foram ultrapassados.

"O biodiesel também agrega valor à agricultura, sobretudo, à soja, principal matéria-prima utilizada na sua fabricação", informou a Abiove.

Pequeno fornecedor

Como boa parte da soja colhida pelos grandes produtores tem o mercado internacional como destino, abre-se uma lacuna no fornecimento voltado à indústria nacional que é suprido pela agricultura familiar.

Os pequenos serão os principais beneficiados com o aumento percentual na mistura que está em vigor, em especial aqueles vinculados ao Selo do Combustível Social, uma ação do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) que garante a compra do que é produzido.

"Essa ação [a mistura] representa um aumento de 14% na demanda de produção de biodiesel para o setor e tem um impacto muito positivo em toda a cadeia. É uma chance para investirmos na diversificação das matérias-primas e para que mais agricultores possam ser associados ao selo", destaca o coordenador de Agroecologia e Energias Renováveis da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário (Sead), André Martins.

Aproximadamente 72.485 famílias estão vinculadas ao Selo e fornecem matérias-primas para 37 usinas que garantem o atendimento exclusivo à 80% da demanda do mercado de biodiesel a partir de leilões.

"Contamos com um objetivo social na cadeia além do mercadológico, que é o envolvimento da agricultura familiar", afirma o executivo da Ubrabio, Donizete Tokarski.

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Data de Publicação: 14/03/2017 às 17:40hs
Fonte: DCI
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