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Grandes produtores mundiais reduzem subsídio sobre o preço do petróleo

Não é (ainda) o caso da Venezuela, do Kuait ou da Nigéria, onde abastecer o tanque pode custar menos que um cafezinho.

Mas grandes países produtores de petróleo, como Rússia, Arábia Saudita e México, vêm reduzindo os subsídios e elevando o preço do combustível no mercado interno nos últimos anos, a fim de equilibrar as contas públicas e estimular a competitividade do setor de óleo e gás.

A Arábia Saudita, por exemplo, um dos maiores produtores do mundo e onde o custo do combustível ainda é bastante baixo, vem cortando os seus subsídios gradualmente. O objetivo do país é reduzir seu déficit fiscal e incentivar o uso de energias renováveis.

O mesmo fez a Indonésia, que reduziu seus subsídios em 90% desde 2015; e o Irã, que aumentou em até 500% o preço do combustível em 2010.

Na América Latina, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, tenta eliminar os subsídios da era Kirchner, e o México abriu o mercado antes monopolizado em 2013.

As decisões geraram protestos e, em alguns casos, alimentaram a inflação após o aumento dos preços do barril do petróleo no mercado global. Não é à toa que, no México, o candidato à Presidência favorito nas pesquisas, Andrés Manuel López Obrador, prometeu congelar os preços da gasolina por três anos.

Mas a decisão, apesar de impopular, é quase consenso entre economistas.

"As pessoas precisam entender que o preço do petróleo não é decidido por um capitalista sentado em algum gabinete, fumando um charuto", diz à Folha o especialista em globalização Marian Tupy, do Cato Institute. "Isso depende do mercado global."

Ele afirma que existe uma tendência mundial, já há alguns anos, de retirar subsídios do combustível em prol de outros investimentos ou políticas de transferência de renda, que seriam mais efetivas.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial são grandes críticos do subsídio estatal no setor e usaram a queda dos preços do petróleo durante a crise global de 2008 como um estímulo aos países para rever suas políticas.

Foi quando Rússia e China, por exemplo, alteraram suas práticas de regulação de preços. Ambos ainda determinam o preço do combustível no varejo, mas os valores flutuam em níveis muito próximos do mercado global.

"Isso é o normal agora", diz o professor David Victor, especialista em energia do Brookings Institute, em Washington. "O que está havendo no Brasil foi o que aconteceu na Rússia e na China há alguns anos. Eles aproveitaram as baixas cotações do petróleo para tirar subsídios. Mas agora, com a alta do barril, alguém tem que pagar o preço."

Nos Estados Unidos, o preço flutua de acordo com o mercado e a carga tributária é baixa (18%, em média, para gasolina e diesel, ante 44% e 28% no Brasil, respectivamente), enquanto em alguns países da Europa, como a Noruega e o Reino Unido, a gasolina é taxada com impostos elevadíssimos, para inibir o seu uso em favor de fontes alternativas de energia.

Segundo pesquisa feita pelo site Global Prices Petrol, o Brasil se situa em uma posição intermediária em comparação aos preços do combustível no mundo. Com o litro do diesel a US$ 0,99, o país ocupa a 76ª posição em uma lista de 176 países.

No caso da gasolina, o preço nacional (US$ 1,18 por litro) também se situa na zona intermediária: é o 91º mais caro do mundo.

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Data de Publicação: 29/05/2018 às 17:00hs
Fonte: Folha de S. Paulo
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