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Exportação de carne halal deve ter avanço

A abertura do mercado da Indonésia para a exportação de carne de frango halal – em que o abate do animal é feito conforme o Alcorão – e um acordo de ajuste nas regras do procedimento exigidas pelos compradores devem permitir a ampliação das vendas do produto brasileiro neste ano.

O Brasil é o maior exportador de carne halal do mundo. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, os importadores querem uma alteração no modo de insensibilização dos animais, o que, na avaliação dele, faria com que o produto perdesse a qualidade. “Estamos transmitindo a informação de que não podemos empregar essa mudança”, afirma Turra. A alteração foi pedida não só ao Brasil, mas a outros países que atuam nesse segmento e que, segundo o dirigente, concordam com a avaliação brasileira sobre a mudança. “Mas não acredito que isso vá afetar o nosso mercado.”

Conforme Turra, o País depende dos importadores aceitarem a manutenção dos procedimentos atuais. Os negócios, entretanto, não foram interrompidos nos embarques. “No entanto, uma vez superado esse impasse, as perspectivas são positivas”, pondera, ainda que a projeção de avanço dos embarques seja de apenas 1%.

O Brasil exportou 1,4 milhão de toneladas de carne de frango halal no ano passado, com receita de US$ 2,4 bilhões, para 57 países, sendo 22 deles árabes, entre os quais se destacam mercados como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Iraque e Kwait.

Em 2018, Turra espera que ocorram os primeiros embarques para a Indonésia. No ano passado, o Brasil venceu uma disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC) e o país terá que derrubar normas que impediam a entrada do produto brasileiro.

“Eles consomem apenas cinco quilos por habitante ao ano, então há muito espaço para colocarmos a carne brasileira lá”, estima Turra, que espera o início efetivo dos embarques para o segundo semestre deste ano. O país tem a maior população muçulmana do mundo, com 260 milhões de habitantes.

Para o diretor executivo da certificadora Cdial Halal, Ali Saifi, a abertura desse mercado pode representar US$ 80 milhões em negócios para o Brasil e alta de até 60% dos embarques até 2020. “Qualquer fatia que conseguirmos ocupar desse mercado será importante para nós”, avalia o executivo. “A comunidade islâmica é a que mais cresce no mundo”, destaca Saifi, que espera um avanço de cerca de 15% neste ano para a Cdial Halal.

Ele pondera que a Operação Carne Franca ainda é trazida à tona nas negociações de acesso e expansão de mercados. Saifi participou recentemente da missão comandada pelo secretário executivo do Ministério da Agricultura (Mapa), Eumar Novaki, para a Ásia. “Ainda dá para sentir o impacto da Carne Fraca, mas as empresas estão se saindo bem para mostrar que a questão está solucionada”, destaca.

Ele ressalta ainda que o Ramadã, mês em que é feito jejum da alvorada ao pôr do sol e o Hajj, período de peregrinação à Meca, são momentos de elevado consumo de proteína animal, o que favorece os exportadores brasileiros. No Brasil, a demanda por esse tipo de produto ainda é pequena, uma vez que a população muçulmana é de um milhão de pessoas, em média.

Carne bovina

No ano passado, o Brasil exportou 438,2 mil toneladas de carne bovina para mercados que consomem produtos halal, um crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em receita, as vendas registraram um crescimento ainda mais expressivo, de 13%, para US$ 1,7 bilhão.

Em junho, o Brasil deverá receber uma missão da Malásia, que deverá habilitar unidades de abate para a exportação de carnes. Segundo o Mapa, o País tem 12 frigoríficos a serem habilitados no segmento.

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Data de Publicação: 05/03/2018 às 19:40hs
Fonte: DCI
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