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EUA vão cobrar tarifas sobre mais US$ 200 bi em importações chinesas

O governo americano anunciou nesta terça-feira que começou a definir uma lista de US$ 200 bilhões em produtos de exportação chineses que começarão a ser tarifados, possivelmente, a partir de setembro, depois que esforços para negociar uma solução para a disputa comercial não resultaram em um acordo.

Segundo a Reuters, o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, disse que os Estados Unidos vão impor tarifas de 10 por cento sobre outras importações chinesas. Lighthizer disse que a medida é uma resposta à imposição de tarifas da China sobre US$ 34 bilhões de produtos exportados pelos EUA e às ameaças de tarifas sobre outros US$ 16 bilhões.

"Isso foi feito sem qualquer base legal ou justificativa internacional", disse Lighthizer em comunicado, de acordo com o Financial Times.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) divulgou a proposta de tarifar 6.031 tipos de produtos da China em 10%. A lista inclui produtos agropecuários, materiais de construção, mineração, componentes de bens de consumo. Segundo o USTR, o processo de seleção de bens chineses levou em conta prováveis impactos sobre consumidores dos EUA.

A proposta de sobretarifação de 10% é mais um capítulo da guerra comercial entre os dois países. No dia 18 de junho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia anunciado que havia pedido ao USTR que identificasse US$ 200 bilhões em produtos chineses a serem alvo dessa barreira. Naquela madrugada, a China passou a classificar a briga tarifária como "guerra comercial".

A divulgação da lista de produtos ocorre cinco dias depois das tarifas de 25% sobre US$ 50 bilhões em produtos da China serem efetivadas sobre importadores americanos. O prazo final de contestações da proposta de nova barreira pelos empresários termina em 30 de agosto.

As compras desses bens pelos importadores americanos somam US$ 200 bilhões anuais. A ação seria a mais recente na escalada de disputas entre as duas maiores economias do mundo.

Trump disse na semana passada que os Estados Unidos podem impor tarifas sobre até 500 bilhões de dólares em importações chinesas - grosso modo o valor total de importações da China pelos EUA no ano passado.

Etapas

Nas contas de Trump, o total de barreiras contra produtos chineses pode chegar a US$ 550 bilhões. No início do ano, foram implementadas tarifas sobre máquinas de lavar e painéis solares, que tiveram a China como um dos principais alvos. Além disso, entre março e maio, o aço e o alumínio chineses também foram tarifados pelos Estados Unidos.

Pequim respondeu impondo barreiras a produtos americanas e, com isso, o governo americano anunciou, no mês passado, que colocaria tarifa de 10% sobre mais US$ 200 bilhões em produtos chineses que ainda seriam especificados. Trump ainda ameaçou: “Se nos retaliarem de novo, mais US$ 200 bilhões seriam tarifados”. O presidente cumpriu a ameaça com o anúncio feito ontem.

Autoridades dos EUA disseram que a “guerra comercial” tem o objetivo de forçar a China a parar de roubar propriedade intelectual americana e abandonar políticas comerciais que efetivamente forçam as companhias americanas a entregarem seus segredos comerciais em troca da abertura do mercado chinês. “Essas práticas são uma ameaça ao futuro da nossa economia”, diz Lighthizer.

O USTR informou que vai aceitar comentários públicos e fará também consultas públicas sobre a medida até 20 e 23 de agosto antes de tomar uma decisão final no dia 31, segundo um funcionário sênior que falou sob a condição de anonimato.

Membros do Congresso americano têm questionado a política comercial agressiva de Trump, advertindo que impor tarifas às importações eleva os preços para os consumidores americanos e deixa produtores agrícolas e indústrias expostas a retaliações. “O anúncio de hoje (ontem) é imprudente”, disse o presidente de Finanças do Senado, Orrin Hatch. “Não podemos fechar os olhos para as práticas mercantilistas da China, mas esta ação fica aquém de uma estratégia que dará à administração dos Estados Unidos alavancagem nas negociações com a China para manter a longo prazo a saúde e a prosperidade da economia americana.”

Resposta

Pequim prometeu responder a qualquer ação comercial dos Estados Unidos. Mas a China só comprou cerca de US$ 135 bilhões em bens americanos no ano passado, o que significa que os produtos americanos não devem ser tarifados antes do último movimento de Trump. Espera-se que as autoridades chinesas retaliem de outras formas, atingindo empresas americanas na China com inspeções não planejadas, atrasos na aprovação de transações financeiras e outras dores de cabeça administrativas.

“O governo Trump está apostando que forçará a China a recuar”, disse Edward Alden, membro sênior do Conselho de Relações Exteriores. “Isso é quase certamente um grave erro de cálculo. A China é muito mais propensa a encontrar outras maneiras de reagir da mesma maneira.”

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Data de Publicação: 11/07/2018 às 11:40hs
Fonte: O Estado de S. Paulo
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