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Dia de Campo na AgroBrasília mostra sistema agrossilvipastoril orgânico

O sistema agrossilvipastoril orgânico, implantado na Unidade de Pesquisa Participativa Orgânica (UPPO), fez parte da programação do Dia de Campo “Manejo de Solo e Água na Agricultura Orgânica”, realizado pela Emater-DF. O evento aconteceu, em 15 de maio, durante a Agrobrasília 2018 – Feira Internacional dos Cerrados, que encerrou no dia 19 de maio, no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, localizado no PAD-DF.

A área da UPPO é mantida pela Embrapa Cerrados (DF), com apoio da Emater- DF. Além de ter sido uma das estações do Dia de Campo, o local integrou o circuito de visitas ao Espaço de Valorização da Agricultura Familiar, durante a AgroBrasília. No dia 18 de maio, o governador do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg e o presidente da Emater- DF Roberto Carneiro visitaram a UPPO.

O pesquisador da Embrapa Cerrados João Paulo Soares explicou aos participantes do Dia de Campo a estrutura da UPPO, implantada em 2011, integrando árvores, pastagens, animais e produção agrícola. A pastagem, entre as faixas de árvores (com três eucaliptos e uma nativa com jatobá, jambo, baru, jenipapo e oiti), foi formada por consórcio com Braquiária ruzizienses e o Stylosantes guianensis cultivar Bela. Paralela à linha de árvores foi introduzido também o feijão guandu BRS Mandarin para proteção do crescimento das árvores e incremento na alimentação animal.

A área já foi ocupada por nove animais, que deram entrada no sistema com 140 kg e saíram ao completar 330 kg. “Esses animais eram de produtores parceiros. Saíram daqui já prontas para inseminação”, explicou Soares. Atualmente, estão, no local, quatro novilhas Gir leiteiro do Centro de Transferência de Tecnologias de Raças Zebuínas com Aptidão Leiteira (CTZL), unidade da Embrapa Cerrados, localizada no Gama (DF). Na parte agrícola é feito o cultivo de cultivares de mandioca BRS 453 e BRS 395. Anteriormente, a área foi cultivada com batata doce e milho para silagem.

A plantação de banana no sistema orgânico tem o objetivo de ser uma barreira viva para proteção aos cultivos convencionais vizinhos, além de atrair polinizadores (morcegos) e gerar renda ao produtor. O bananal do primeiro ciclo do sistema (cinco anos) produziu um total de 793 kg/cachos. A produção de mandioca (54 toneladas/ha) também foi boa, tendo sido superior a média registrada no DF.

Balanço positivo – Soares apresentou simulação de custo operacional, de receita e de lucro obtido com a venda da produção agrícola e florestal. Caso a madeira seja vendida para lenha, a receita é de R$ 24 mil e o custo operacional no valor de R$ 9 mil, o que dá um ganho de R$ 2,63 para cada R$ 1,00 investido no sistema. Se a opção for vender madeira para fabricação de mourão, a receita é de R$ 23 mil com custo operacional de R$ 9 mil. O lucro é de R$ 2,48 para cada R$ 1,00 investido pelo produtor.

Outro resultado, destacado pelo pesquisador João Paulo Soares, foi o ganho de peso animal. Em oito meses, os animais recriados ganharam, em média, 650 gramas por dia. Basicamente, a alimentação desses animais foi pastagens consorciadas, suplementação com volumosos e somente a quantidade de ração permitida pela legislação de produção orgânica (Lei 10831 e IN 46).

O crescimento das árvores também é um ponto positivo, pois foi maior do que ocorre com as espécies cultivadas em sistema convencional. Em cinco anos, os eucaliptos alcançaram 15 metros, tendo sido feita adubação de estabelecimento e de manutenção apenas com insumos alternativos orgânicos. Soares também chamou atenção para os benefícios da parte florestal no sistema. Entre as vantagens estão reciclagem de nutrientes e proteção do solo, estabilidade climática, aumento da produção, bem estar animal, e diversificação da renda.

Maracujá no sistema – O maracujá BRS Pérola do Cerrado é o mais novo produto a integrar o sistema agrossilvipastoril orgânico. A variedade foi plantada na UPPO em sistema de latada (semelhante à parreira de uva), utilizando os eucaliptos como suportes. De acordo com a pesquisadora da Embrapa Cerrados Ana Maria Costa, serão realizadas avaliações sobre o comportamento e produtividade, em função de estar embaixo dos eucaliptos. Já foi observado que o sombreamento provocado pelos eucaliptos atrasa um pouco a produção das frutas.

“Essa adaptação é nova e iremos aos poucos fazendo os ajustes para o manejo no sistema. Incluir o maracujá é uma forma de agregar mais um componente que gera renda ao produtor. A cultura é rentável no DF e no sistema orgânico o valor do quilo varia entre R$ 8 a R$ 10. Em média a produção, em outras de cultivo no DF, é de 8 toneladas por hectare, quando não há irrigação, até 30 toneladas por hectare, com irrigação”, disse a pesquisadora.

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Data de Publicação: 29/05/2018 às 13:20hs
Fonte: Embrapa Cerrados
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