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De olho na piscicultura

Nos últimos anos, mesmo em meio à crise econômica que vem assolando diversos setores do país, a piscicultura paranaense tem apresentado crescimento exponencial de fazer inveja a outras atividades agropecuárias.

Segundo dados da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab), a produção de tilápia no Paraná, carro-chefe do segmento, saltou de 27 mil toneladas em 2010 para 73,3 mil toneladas em 2015 (último dado disponível), aumento de 271%. Algumas entidades estimam que o Estado, maior produtor do pescado do país, ultrapasse a barreira das 100 mil toneladas neste ano.

O avanço da piscicultura no Paraná tem lastro em uma série de fatores, a começar pelo crescimento da demanda por parte dos consumidores. Para atender esse público, frigoríficos em operação têm ampliado a linha de produção, enquanto cooperativas, de olho em uma fatia do mercado, estão construindo plantas específicas para o abate do animal. Ainda, para fornecer a matéria-prima, milhares de produtores fazem planos para ampliar e/ou ingressar na atividade, principalmente na região Oeste, que concentra 75% da produção estadual de tilápia.

“A piscicultura possibilita um ganho maior por metro quadrado que qualquer outra atividade. Isso tem atraído cada vez mais produtores. Muitos têm deixado de plantar para apostar no pescado, inclusive dedicando terra boa, solo vermelho. A fertilidade da terra influencia na qualidade da água e, consequentemente, melhora a condição de crescimento do peixe”, explica Marcos Pereira, piscicultor e representante da FAEP na Comissão Nacional de Aquicultura da CNA.

Diante da necessidade de conhecer de forma mais detalhada todos os elos da cadeia produtiva, no final de 2016, FAEP, SENAR-PR, Seab, Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) formaram um grupo de trabalho da aquicultura, com o objetivo de mapear a atividade e identificar as demandas e desafios.

“O potencial de crescimento é enorme. Para isso, precisamos levantar as necessidades dos produtores e outros elos da cadeia produtiva para que o Sistema identifique onde e como pode ajudar no processo de solidificação da cultura”, ressalta Ágide Meneguette, presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Periodicamente, técnicos e profissionais têm realizado visitas em propriedades, cooperativas, frigoríficos e sindicatos rurais colhendo informações para, posteriormente, definir ações e estratégias de atuação. Na primeira quinzena de agosto, o giro técnico aconteceu nos municípios de Palotina, Maripá, Toledo, Nova Aurora e Laranjeiras do Sul. Em breve, o grupo irá percorrer cidades da região Norte.

Sanidade

O primeiro giro técnico pelo Paraná permitiu identificar uma série de desafios, como a necessidade de redobrar a atenção com a segurança sanitária. “A piscicultura já é uma realidade e tem um potencial muito grande de expansão. Temos que ter um cuidado especial na implementação da cadeia pela questão sanitária. Neste quesito, o Sistema está trabalhando em parceria com os setores de defesa estadual, do Ministério da Agricultura e da Comissão de Aquicultura da CNA. Precisamos socializar conhecimentos, procedimentos e regras sanitárias para evitar doenças no futuro”, aponta o consultor da FAEP Antônio Poloni, ex-secretário estadual da Agricultura.

Poloni acredita que a cadeia, nos âmbitos estadual e nacional, tem potencial para produzir peixe de melhor qualidade do que o Brasil compra no mercado internacional. Atualmente, o setor de pescados ocupa a segunda posição no ranking dos produtos agropecuários importados, atrás do trigo.

O trabalho em desenvolvimento pela FAEP, SENAR-PR e outras entidades do grupo de trabalho tem animado o setor produtivo. Edmilson Zabot, que produz 120 mil quilos de tilápia por ano em sua propriedade em Palotina (Oeste), aponta a necessidade da construção de uma política voltada para o pescado nos mesmos moldes do que ocorre para a avicultura, suinocultura e pecuária de leite, entre outras atividades do agronegócio.

“Muitas vezes, as políticas públicas do agronegócio são feitas fora da realidade. Esse grupo será capaz de propor ações práticas na busca de soluções. E o Sistema poderá trabalhar junto aos órgãos governamentais para construir uma outra forma de olhar da atividade”, diz Zabot, que também é presidente da Associação Palotinense de Aquicultores (APAQ).

Investimento

De olho nesta enorme fatia de consumidores ávidos por incluir peixe no cardápio diário, agroindústrias e produtores investem para aumentar a oferta. Parte significativa das ampliações em infraestrutura de produção está da “porteira para fora”. A cooperativa C.Vale, de Palotina, irá inaugurar, em outubro, seu primeiro abatedouro de peixes com capacidade de 75 mil tilápias/dia. O investimento gira em torno de R$ 110 milhões.

A Copacol, cooperativa instalada em Cafelândia, no Oeste, também está reforçando a atuação na produção de pescado. A empresa, que desde 2008 aposta na atividade, investiu R$ 50 milhões para ampliar a capacidade de abate para 140 mil tilápias/dia. Na mesma esteira, a Cooperativa Agroindustrial de Piscicultura (Copisces), em Toledo (também na região Oeste), diante de um mercado consumidor ávido por filés de tilápia, também está ampliando a estrutura para atingir a capacidade instalada para abater 50 toneladas de tilápia/dia em turno único.

“A piscicultura já vinha crescendo, mas o ‘boom’ se deu com a entrada da Copacol. Antes, o mercado oscilava muito. Agora existe segurança para os produtores. Acredito que a entrada da C.Vale irá dar outra impulsionada”, conta Ari Sgarbi, produtor de alevinos de tilápia em Palotina.

O próprio Sgarbi tem investido, ano a ano, na ampliação da produção para abastecer as cooperativas e produtores, que hoje consomem quase a totalidade dos 50 milhões de alevinos produzidos anualmente. Antes, o produtor enviava para Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. “Todo ano aumentamos a produção entre 10% e 20%, pois a venda é garantida”, afirma Sgarbi, envolvido com a piscicultura há 27 anos.

Esses movimentos do mercado trazem uma segurança para o campo, fazendo com que muitos produtores invistam nas estruturas existentes e outros planejem entrar na atividade. “Tranquiliza o pessoal, pois trazem garantias.

Quem já está, amplia. Quem ainda não, planeja entrar”, afirma Marcos Pereira, piscicultor há 15 anos e que aloja 5 milhões de alevinos para tirar durante o ano. “A atividade já passou por muitos ciclos. Antes, o produtor não sabia se conseguiria vender a produção. Nos últimos oito anos, é possível perceber que estabilizou, fato que atrai produtores.

Hoje, há muitos no interior do Estado, inclusive muita gente que aposta apenas na piscicultura”, complementa.

Capacitação

Outro desafio identificado pelo grupo de trabalho é a necessidade de capacitação e qualificação dos produtores.

“O produtor precisa entender que precisa se capacitar para entrar na piscicultura, assim como em outras atividades. Saber que é uma atividade profissional e precisa dedicação”, ressalta Zabot.

Neste campo, em breve, o SENAR-PR irá reforçar a grade de cursos. A proposta é inserir novas capacitações focadas em automação, bioseguridade e intensificação. Atualmente, na área de piscicultura, a entidade oferta o curso de Sistema de Cultivo. “O produtor assume grande parte do operacional da atividade e precisa estar preparado. O curso Sistema de Cultivo tem muita coisa atual, como princípios do monitoramento da qualidade da água e sanidade dos peixes. Mas, em breve, vamos ofertar mais capacitações”, diz Alexandre Lobo Blanco, técnico do SENAR.

Desde 2007, quando foi criado, o curso de Sistema de Cultivo, com 16 horas, já capacitou cerca de 6,2 mil produtores, em todas as regiões do Estado, em 543 turmas.

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Data de Publicação: 29/08/2017 às 08:40hs
Fonte: Senar - Assessoria de Comunicação do Sistema FAEP/SENAR-PR
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