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Consumo de produtos saudáveis cresce e abre oportunidades a fruticultores

O empresário Flávio Meneguini decidiu apostar na uva tinta para estrear no segmento de sucos integrais. Em 2002, ao perceber o aumento do consumo da bebida da fruta graças à busca por produtos mais saudáveis, ele fundou a Mitto Sucos, em Americana (SP).

A indústria surgiu em uma época em que a maior parte da produção da uva era destinada à fabricação de vinhos. Aos poucos, esse cenário foi mudando e, nos últimos 15 anos, o consumo do suco de uva cresceu, em média, 30% ao ano, afirma Flávio.

O crescimento reflete o aumento da participação dos produtos prontos no mercado de sucos (ler no quadro abaixo). De acordo com a Nielsen Consultoria, hoje a categoria representa cerca de 16% do total. “Os refrigerantes não apresentam grande crescimento. Quem vem crescendo são os produtos que têm uma proposta mais saudável, como água de coco, isotônicos, chás e sucos prontos para consumo”, explica o líder da indústria de bebidas da Nielsen, Daniel Asp Souza.

De alguns anos para cá, um consumidor mais informado e exigente passou a substituir o consumo de refrigerantes por alternativas mais saudáveis. Foi nesse contexto que surgiram empresas como a Mitto, onde a produção de suco de uva tinta continua sendo majoritária, com 50% do volume comercializado. Mas, nos últimos anos, depois de investir também na uva branca, a Mitto passou a produzir sucos de maçã, tangerina, goiaba, manga e uva com maçã. Por ano, mais de 1 milhão de litros são vendidos.

Historicamente, na categoria dos sucos prontos para consumo, a preferência do consumidor sempre foi pelo néctar (sucos integrais com adição de água e açúcar). No entanto, mesmo em meio à crise econômica, a produção e o consumo das versões integrais vêm crescendo a taxas maiores.

“Quando abrimos a categoria dos sucos prontos, percebemos que o maior crescimento é dos 100% frutas, que é um produto mais nobre, mais caro, mas que o consumidor tem se mostrado disposto a pagar quando entende que essa proposta faz sentido para ele”, diz Daniel.

O consultor explica que o surgimento de novos sabores é uma questão de maturidade da categoria. “Os grandes sabores seguem sendo uva e laranja, mas, como uma proposta de valores de diferenciação, essas marcas têm trazido novos sabores, como misturas e outras frutas. Isso segue a linha de oferecer para o consumidor coisas diferentes que tenham essa proposta saudável.”

Foi assim que a Mitto desenvolveu novos produtos. “Nós vimos que as mães estavam acrescentando água com gás aos sucos para fazer um refrigerante natural.” Para atender à demanda de mercado, a fabricante criou o suco gaseificado, que não possui aditivos, apenas a fruta espremida.

Em Paranavaí (PR), a Prat’s também investe em novos produtos. A empresa deu os primeiros passos com a fabricação de suco de laranja, em 2012. De acordo com o diretor da Prat’s, Paulo Pratinha, a demanda dos consumidores por outros sabores incentivou a fabricante a diversificar a linha de vendas. Em 2013, a companhia começou a trabalhar com os sabores uva e limão, mais sazonais e regionalizados. Recentemente, lançou uma linha de sucos de goiaba.

Assim como a Mitto, a Prat’s também tem produtos que misturam sabores, como o suco de maçã com goiaba. Já ao suco de limão é adicionado açúcar, devido ao amargor natural da fruta. Do volume total produzido na empresa, as frutas novas representam 15%. No ano passado, a Prat’s fabricou mais de 30 milhões de litros de suco de laranja e mais de 4,5 milhões de litros de uva, limão e goiaba.

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Todos os sucos da Mitto são produzidos com frutas de agricultores familiares. Na Prat’s, há a participação de outras indústrias com produção própria ou que trabalham em parceria com produtores.

A diversificação de sabores representa uma oportunidade para os produtores. “O mercado de suco está se diversificando. O de laranja, no mundo, ainda é o carro-chefe, mas há muitos sucos de manga, tangerina, uva, um pouco de goiaba. O Brasil não foge à regra. Hoje, você tem sucos 100% de goiaba, laranja e uva”, diz o presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga (SP), Marco Antonio dos Santos.

De acordo com o dirigente, as grandes indústrias da região, um polo de produção de citros, que antes processavam apenas o suco concentrado, já estão fazendo suco fresco. “A diversificação é muito boa para os produtores, especialmente para os pequenos. Muitos fazem laranja, goiaba, manga e limão. São culturas que se diversificaram nas pequenas propriedades”, explica, apontando outra comodidade comum a essas frutas: a utilização do mesmo equipamento na colheita.

As mudanças climáticas e a sazonalidade das safras podem ter forte impacto para a produção de sucos. Flávio Meneguini diz que, no ano passado, a Mitto perdeu 60% do cultivo de uva por causa das geadas no Rio Grande do Sul. O empresário explica que é importante ter uma linha de sucos diversificada para não depender apenas de uma fruta. Na Prat’s, para lidar com a sazonalidade da safra, a bebida é armazenada em câmaras frias.

Mesmo diante de adversidades, a oportunidade de mercado é maior. Tanto para produtores quanto para a indústria. “Toda a tendência de alimentos saudáveis e de longevidade favorece que a longo prazo nós tenhamos um crescimento maior nessas categorias”, diz Daniel Souza.

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Data de Publicação: 29/08/2017 às 18:20hs
Fonte: Globo Rural
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