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Começa colheita do café arábica, mas condição das lavouras com seca já preocupa para próxima safra

Os trabalhos ainda estão no início e devem ganhar força nas próximas semanas. Apesar do otimismo para este ano, cafeicultores já se preocupam com as condições das lavouras para a próxima temporada com a seca dos últimos dias em áreas do estado.

"No Sul de Minas, as regiões mais baixas já iniciaram a colheita. Na Mogiana, também há relatos de algumas propriedades começando os trabalhos, mas isso ainda não representa uma área significativa", afirma o engenheiro agrônomo da Fundação Procafé, em Franca (SP), Marcelo Jordão Filho.

O produtor Adriano do Divino, de Guaranésia (MG), começou a colheita de sua lavoura há cerca de três semanas. "Como tive perdas com granizo e pessoalmente vou colher menos neste ano, apliquei produtos para o café ter maturação mais rápida, mas outros produtores também já começam a colher. Para a próxima temporada, precisamos de chuvas para não ter novos problemas", explica. Divino deve colher cerca de 400 sacas nesta temporada.

As condições climáticas adversas das últimas semanas não prejudicaram as lavouras para essa safra. No entanto, as altas temperaturas e os baixos volumes de chuva devem impactar a próxima temporada. "Este período de estiagem beneficia a colheita, porque não se tem umidade e proliferação de fungos, mas ao mesmo tempo o solo entra em déficit", afirma Filho.

Sem água no solo, os ramos das plantas começam a secar. É justamente o que acontece com lavoura do cafeicultor Nilson Pacheco, de São Pedro da União (MG). "Estamos sem chuvas há mais de 40 dias na região e o café está 'queimando'. Nesta temporada, a colheita será melhor do que nos últimos, mesmo com uma perda de até 5%, mas os prejuízos maiores mesmo devem ocorrer no próximo ano" afirma.

O produtor deve iniciar a colheita de sua lavoura de cerca de 7 hectares na próxima semana com expectativa de produção de 300 sacas.

A Fundação Procafé verificou baixos volumes de chuva durante o mês de abril em lavouras do Sul Minas Gerais e Mogiana, alguns talhões, inclusive, apresentaram déficit hídrico. A situação no Triângulo Mineiro é um pouco melhor. "Tivemos chuvas normais até o mês de fevereiro e a partir de março praticamente todas as regiões tiveram chuvas abaixo da média", pondera Filho. A orientação é que o produtor recomponha a água com irrigação.

Consultorias privadas estimaram recentemente que a safra brasileira de café poderia superar 60 milhões de sacas de 60 kg, um recorde. A última previsão da Conab (Companhia Nacional do Abastecimento) aponta números entre 54,44 e 58,51 milhões de sacas neste ano entre o arábica e conilon. A atualização desses dados será feita no próximo dia 17 de maio pelo órgão oficial.

Somente o Sul de Minas Gerais, principal região produtora do grão no país, deve produzir 16,4 milhões de sacas, principalmente da variedade arábica.

Colheita do conilon mais avançada

A colheita do café conilon (robusta) no Espírito Santo, principal estado produtor do grão, também já começou, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP). Os trabalhos, porém, ainda ocorrem em poucas lavouras devido à incidência de grãos verdes. A safra de conilon no estado também deve ter recuperação neste ano.

"Nesse cenário, o volume de café novo que chega ao mercado ainda é pequeno", ressaltou o Cepea em nota nesta quarta-feira (09).

Em Rondônia, primeiro estado a iniciar a colheita e que tem despontado na produção da variedade, os trabalhos no campo estão mais avançados e tê sido beneficiados pelo clima. "Apesar da intensificação da colheita no estado rondoniense, produtores continuam 'segurando' boa parte da mercadoria, à espera de maior valorização do grão", informou o centro.

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Data de Publicação: 14/05/2018 às 12:20hs
Fonte: Notícias Agrícolas
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