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CARNE FRACA: Tecnologia ajuda a identificar adulterações na carne

A Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, que trouxe à tona o debate em torno da qualidade da carne produzida e comercializada no Brasil, levanta também a questão da necessidade de novas tecnologias que auxiliem empresas e consumidores a identificar adulterações na carne consumida. A FIT – Fine Instrument Technology, empresa brasileira especializada em soluções que utilizem ressonância magnética, já desenvolve há algum tempo equipamentos capazes de auxiliar nessa identificação.

O SpecFIT, desenvolvido com o apoio financeiro da FINEP e do Desenvolve SP, é semelhante ao equipamento de ressonância utilizado em ambiente hospitalar, porém, adaptado às necessidades das análises dos alimentos. O diferencial, além do tamanho, está nos métodos de análises incorporados aos softwares do equipamento, sendo alguns deles desenvolvidos em parceria com a Embrapa. Estes softwares retornam dados precisos sobre a qualidade e composição dos produtos, podendo estes serem in natura ou industrializados, e sem sofrerem qualquer tipo de dano.

“No que se refere à carne, aqui no Brasil essa tecnologia é usada pela Embrapa, que já utilizou RMN para identificação da raça e sexo do gado, e medida de suculência, ternura, perda durante o cozimento, teor de gordura e teor de umidade, sendo este último item um dos principais parâmetros para medir se a carne está fresca ou não”, explica o físico e sócio da FIT, Daniel Consalter. “Recentemente o Laboratório Nacional Agropecuário de Minas Gerais (Lanagro/MG), do Ministério da Agricultura, também adquiriu o equipamento. Lá é usado para identificar possíveis fraudes e adulterações em produtos agrícolas”, comenta.

No início de março essa tecnologia foi abordada nos Estados Unidos durante um congresso sobre ressonância magnética. Consalter explica que lá um grupo da Dinamarca usou um equipamento semelhante ao SpecFIT para medir a capacidade de retenção de água em carne de porco. O grupo ainda relacionou a análise usando RMN com o tempo do abatimento do porco, ou seja, a frescura da carne. ”O teste pode ser repetido na carne de boi, e o ácido ascórbico não interfere. Devido aos resultados já obtidos com RMN, essa tecnologia pode sim ser usada para detectar adulteração na carne”, explica Consalter.

Ainda de acordo com físico, uma utilização importante desse equipamento poderá ser feita pelos supermercados, que poderão verificar, de forma rápida e eficaz, a qualidade dos produtos de seus fornecedores. “A utilização de RMN pode analisar, por exemplo, além da qualidade das carnes, pureza de azeites, a quantidade de açucares em frutas e sucos, entre muitas outras aplicações possíveis que estão em desenvolvimento, como autenticidade do salmão, a origem de vinhos e pureza do leite”, explica Consalter.

Mesmo o foco atual sendo o setor de alimentos, Consalter afirma que o potencial dessa nova tecnologia desenvolvida pela FIT é infinita. O primeiro equipamento foi vendido para o Laboratório de Tecnologia de Engenharia de Poços da Coppe, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Neste caso, a tecnologia foi direcionada para exploração de petróleo, com uso da ressonância na análise da porosidade de rochas em regiões promissoras.

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Data de Publicação: 24/04/2017 às 15:20hs
Fonte: StartCom
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