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BALANÇO SEMANAL CNC - 13 a 17/03/2017

Esta semana o CNC participou da 119ª Sessão do Conselho Internacional e dos Comitês da Organização Internacional do Café (OIC), em Londres (ING). A delegação brasileira foi chefiada, com muita competência, pelo Embaixador Hermano Telles Ribeiro, Representante Permanente do País junto aos Organismos Internacionais sediados na capital inglesa, e composta por: Ministra Ana Paula Simões Silva (Resbralon); Conselheiro Joaquim Pedro Penna (Resbralon); Leonardo Bastos Azevedo (Resbralon); Deputado Silas Brasileiro (CNC); Silvia Pizzol (CNC) e Carlos Brando (P&A Marketing).

O principal foco das discussões, em todas as reuniões, foi a busca de consenso entre os países membros para a escolha do novo diretor executivo da Organização entre os cinco candidatos endossados pelos governos de Brasil, Indonésia, México, Peru e Suíça. Destacou-se a necessidade de uma liderança que garanta a representatividade de todas as regiões produtoras e com capacidade para impulsionar a OIC, superando rapidamente a atual fase de turbulência administrativa, com vacância de vários cargos estratégicos de alta gestão, que tem dificultado o avanço dos trabalhos, inclusive da própria revisão estratégica iniciada em 2015.

ELEIÇÃO DO DIRETOR EXECUTIVO

Na segunda-feira, 13 de março, a presidente do Conselho Internacional da OIC informou que o Peru retirou sua candidatura, restando, assim, quatro candidatos (Brasil, Indonésia, México e Suíça). Devido à complexidade do processo de votação previsto no regulamento da Organização, optou-se pelo uso de “confessionários” (encontros individuais das delegações de cada país membro com a presidente do Conselho visando a avaliar o posicionamento e a preferência de cada membro em relação aos candidatos). O objetivo foi alcançar consenso na escolha do diretor executivo, evitando o desgastante processo de votação.

O primeiro passo do processo foi a apresentação dos discursos pelos candidatos, oportunidade em que as delegações presentes tomaram conhecimento das experiências e capacidades dos postulantes e de suas agendas propostas para a OIC. Um moroso processo de negociação se arrastou por toda a semana e, somente hoje, foi definido que o brasileiro José Dauster Sette será o novo diretor executivo da OIC.

Após os intensos trabalhos durante toda a semana, a delegação brasileira comemorou imensamente o resultado. O embaixador Hermano Telles Ribeiro lembrou a rápida articulação no Brasil, capitaneada pelo Conselho Nacional do Café, alcançando união e convergência entre os setores públicos e privado para a apresentação de um candidato de peso, permitindo que o País continuasse à frente da Organização.

O presidente do CNC aproveita a oportunidade para exaltar o exímio trabalho de negociação liderado pelo embaixador Hermano, que garantiu o resultado favorável ao Brasil. Silas Brasileiro também considera que a experiência de José Sette em gestão administrativa e financeira de organismos internacionais, além de seu amplo conhecimento do setor cafeeiro, confere-lhe todos os requisitos necessários para fortalecer a OIC como o fórum internacional de gestão dos assuntos cafeeiros.

Apresentamos, resumidamente, os principais pontos da agenda proposta por Sette: (i) reorganizar administrativamente e concluir o processo de revisão estratégica da OIC, criando escopo para o fortalecimento do setor de estatísticas; (ii) maior aproximação da Organização com os membros e ampliação de sua representatividade; (iii) valorizar o aspecto econômico da sustentabilidade; (iv) ampliar a consciência e o desenvolvimento de estratégias mitigadoras das mudanças climáticas; (v) diversificar as fontes de financiamento dos projetos cafeeiros; (vi) ampliar os impactos promocionais do Dia Internacional do Café; e (vii) construir, de forma participativa, indicadores de desempenho para a OIC (Keys Performance Indicators - KPIs).

HOMENAGENS A ROBÉRIO SILVA — A semana de reuniões foi marcada por várias homenagens a nosso saudoso amigo Robério Silva. Na segunda-feira, na abertura da sessão do Conselho da OIC, a presidente Tanya Menchi, representante dos Estados Unidos, prestou homenagem a Robério, lembrando sua experiência profissional e suas principais conquistas e contribuições ao setor cafeeiro mundial. Na sequência, os trabalhos foram suspensos para que todos se unissem em um momento de silêncio em memória a Robério.

Na quarta-feira, 15, as delegações dos 40 países membros presentes participaram de uma missa na Catedral Westminster, oportunidade em que a equipe da OIC, representantes do Itamaraty e familiares de Robério Silva realizaram emocionantes pronunciamentos recordando suas realizações, personalidade afável e liderança agregadora.

OUTROS ASSUNTOS — Em meio às negociações para a escolha do novo diretor executivo da Organização Internacional do Café, os países membros também apreciaram alguns estudos e deliberaram sobre questões relacionadas a estatísticas e promoção do café.

(i) Situação do Mercado Cafeeiro: O Economista Chefe da OIC, Denis Seudieu, expôs que, desde o final de 2016, observou-se certa recuperação das cotações do robusta, impactando positivamente também o arábica. Contudo, em fevereiro, os indicativos de todos os grupos da OIC caíram um pouco, com destaque para o do conilon. A tendência de crescimento dos estoques dos países importadores, embora nos produtores o volume armazenado seja baixo, e perspectivas favoráveis para a safra 2017/18, principalmente no Brasil, são fatores que abrandaram as preocupações com a oferta.

As exportações globais foram projetadas, no ano cafeeiro 2015/16, em 104,8 milhões de sacas, gerando uma receita de US$ 20 bilhões, valor 5,9% superior ao de 2014/15, apesar de uma queda de 1,4% no volume exportado, o que reflete o aumento dos preços durante o ano passado.

Em 2016, a OIC estima que a colheita mundial foi de 151,6 milhões de sacas de café, ou apenas 0,1% acima do volume de 2015. A produção de arábica subiu 7,9%, ao passo que a de robusta caiu 10,7%.

A Organização prevê que o consumo mundial permaneça estável ao redor de 155 milhões de sacas (-0,4% ante 2015). A demanda segue aquecida, mas não em todos os mercados tradicionais, sendo puxada pelo crescimento nos países exportadores e emergentes. Embora venha ocorrendo déficit de oferta nos últimos três anos, não se observa reação significativa nos preços.

(ii) Projetos do Setor Cafeeiro: até 17 de fevereiro, 38 projetos haviam sido financiados, com recursos oriundos: (i) do Fundo Comum para os Produtos Básicos (FCPB), que injetou o valor aproximado de US$ 100,3 milhões; (ii) de instituições doadoras bilaterais e multilaterais (US$ 52,4 milhões); (iii) na forma de cofinanciamento (US$ 28,5 milhões); e (iv) de países beneficiários, na forma de contribuições de contrapartida (US$19,3 milhões). As propostas de novos projetos a serem examinadas pelo Conselho, na reunião de setembro de 2017, devem chegar à OIC antes de 30 de junho deste ano.

Os membros do Comitê de Projetos também debateram as dificuldades para o financiamento e a necessidade de a OIC diversificar mais as fontes de recursos para este fim devido às restrições do FCPB. Foram citados os avanços do Fundo para o Café Africano, que está evoluindo para se consolidar como uma experiência de sucesso de parceria público-privada para o financiamento de projetos voltados ao desenvolvimento da cafeicultura regional. A pedido dos membros do fórum, a Secretaria da OIC iniciará gestões para avaliar a possibilidade de desenho de fundos similares em outras regiões produtoras, como Ásia, América Central e América do Sul.

(iii) Impacto da Volatilidade dos Preços: foram analisadas três pesquisas que versam sobre: i) os efeitos das altas e baixas sobre a oferta de mão de obra intrafamiliar; ii) o papel das microempresas como forma de mitigar os choques de preços do café; e iii) os benefícios potenciais do uso de serviços financeiros baseados em inovações da telefonia celular para estabilizar o consumo entre as famílias rurais. Os três estudos confirmam que a volatilidade do mercado continua a ser uma preocupação séria, pois os pequenos cafeicultores frequentemente não têm a capacidade de amenizar os choques dos preços.

Os principais resultados obtidos por essas pesquisas são: (i) as famílias enfrentam os preços mais baixos do café suprindo mão de obra adulta para trabalho pago fora das propriedades. Ao mesmo tempo, crianças e adolescentes preenchem os hiatos, trabalhando mais horas nas propriedades e na produção doméstica, com efeitos potencialmente negativos sobre seu rendimento escolar; (ii) abrir um negócio é uma estratégia comum de diversificação de receita durante as crises de preços do café, no entanto a viabilidade econômica das microempresas intermitentes é limitada; (iii) maior acesso a serviços digitais, como os de MM, podem levar a mais prosperidade dos cafeicultores devido a custos de transação mais baixos de compra e venda de insumos agrícolas e através à capacidade de receber remessas.

Embora não possam ser generalizadas sem a realização de estudos mais elaborados, as principais recomendações sobre políticas derivadas dessas pesquisas são:

  • os mercados de crédito precisam ser aprofundados para capacitar as famílias a estabilizar o consumo e as restrições ligadas a terra e mão de obra precisam ser equacionadas (em vista da substituição intrafamiliar da mão de obra, os benefícios dos programas de trabalho públicos podem ser restringidos pelos efeitos negativos da necessidade de as crianças passarem mais tempo na propriedade agrícola da família);
  • para que as microempresas sejam mais rentáveis, as comunidades cafeeiras precisam estar mais ligadas a mercados distantes, através de melhores infraestruturas físicas e da remoção de barreiras a informações comerciais.
  • a implantação de redes e serviços necessita ser acelerada para facilitar o acesso das famílias rurais a modernas tecnologias digitais, o que requer a criação de um clima de investimentos favorável, a redução da burocracia e a adoção de políticas de competição eficazes.

(iv) Exigência de Dados Estatísticos: frente à exigência de os países membros fornecerem números estatísticos relacionados ao ano cafeeiro vigente, conforme determinação do Acordo Internacional do Café, revelou-se que, dos atuais 42 membros exportadores do AIC 2007, apenas dois (representando 13,9%) cumpriram integralmente a obrigação e nove (40,8%) honraram satisfatoriamente o compromisso, enquanto o cumprimento por outros 11 países (34,8%) foi parcial. No tocante aos importadores, houve responsabilidade total por parte dos 35 países membros, que responderam por 100% da média anual das aquisições mundiais de café nos quatro anos cafeeiros de 2012/13 a 2015/16. Discutiu-se a necessidade de ações mais efetivas para apoiar e capacitar países que tem dificuldade em levantar e analisar dados de seus setores cafeeiros, principalmente os da África.

(v) Indicador de Preços da OIC: os titulares do Comitê de Estatísticas aprovaram alteração mínima no peso dos grupos de café que formam o indicador de preço da Organização, de acordo com suas participações médias de mercado nos anos cafeeiros entre 2013 e 2016. A nova composição entrará em vigor em 1º de outubro de 2017. Também foi recomendado à Secretaria que avalie a inclusão outros mercados consumidores, como a Ásia, no cálculo do índice.

(vi) Plano Global para o Arábica: Na reunião da Junta Consultiva do Setor Privado, na terça-feira, 14, o presidente da Illycafè, Andrea Illy, apresentou o projeto “Plano Global para o Arábica”, que objetiva estabelecer uma governança mundial organizada em três atividades criticas para o combate às mudanças climáticas: (i) levantamento de fundos, potencializando a capacitação de recursos do setor industrial, instituições que atuam no setor cafeeiro e filantropos e sua distribuição para os melhores projetos; (ii) transferência de conhecimento de novas tecnologias, como genomas, inteligência artificial e de práticas de gestão, que são críticas e necessitam de uma abordagem multidisciplinar; e (iii) coordenação dos esforços dos diferentes países para evitar a duplicação de projetos. Ele propôs que essa governança global seja uma das funções da OIC, que ficaria responsável pelo projeto.

O Plano Global tem apoio da Swiss Coffee Trade Association e há tratativas em andamento para o envolvimento do agente financeiro internacional UBS. Defendeu-se, durante os debates, a inclusão da variedade robusta, cuja oferta foi afetada sensivelmente pela recente seca no Brasil. Por fim, os membros da Junta decidiram que o novo diretor executivo da OIC participará dessas discussões.

(vii) Atividades de Promoção do Café: definiu-se que o tema para as atividades de comemoração do próximo Dia Internacional do Café, em 1º de outubro de 2017, será “Coffee for you and me”, valorizando a característica de unir as pessoas do café.

(viii) Financiamento do Setor Cafeeiro: na quarta-feira, 15, o Grupo Central deliberou que o 8º Fórum Consultivo sobre Financiamento do Setor Cafeeiro, a ser realizado em setembro de 2017, abordará as novas tecnologias disponíveis para apoiar a sustentabilidade do segmento da produção.

(ix) Conferência Mundial do Café: Índia e México formalizaram interesse em sediar a próxima edição do evento, prevista para ocorrer em 2020. Após deliberação do Conselho Internacional da OIC, definiu-se que o país asiático receberá a Conferência Mundial do Café seguinte.

(x) Próximas Reuniões: a 120a sessão do Conselho Internacional do Café será realizada em Abidjã, na Costa do Marfim, no período de 25 a 29 de setembro de 2017.

MERCADO — O mercado internacional do café, frente a um cenário de fundamentos inalterados, teve uma semana de baixa volatilidade e pouco volume de negócios, com seu desempenho atrelado ao comportamento do dólar.

Em meio a esse contexto, o vencimento maio do Contrato C, na ICE Futures US, foi cotado, na quinta-fera, a US$ 1,4145 por libra-peso, registrando valorização mínima de 10 pontos em relação ao fechamento da semana passada, graças à recuperação na sessão de ontem, quando a moeda norte-americana caiu frente a quase todas as divisas.

Na ICE Futures Europe, o vencimento maio do contrato futuro do robusta encerrou o pregão a US$ 2.183 por tonelada, apurando ganhos de US$ 13, também impulsionado pelo comportamento do dólar e da expectativa de restrição de oferta no mercado.

O dólar comercial sofreu sua maior queda em seis meses na quarta-feira, repercutindo a sinalização menos "hawkish" - juros mais altos e política de austeridade mais forte - do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA), que confirmou as expectativas ao elevar a taxa básica de juros do país em 0,25 ponto percentual, situada entre 0,75% e 1% agora, e indicou a possibilidade de mais duas altas em 2017.

No Brasil, a divisa também foi pressionada pelo fato de a agência de classificação Moody´s ter melhorado a perspectiva para a nota de crédito soberano do Brasil de "negativa" para "estável", alegando que a economia dá sinais de recuperação, com inflação recuando e desdobramentos favoráveis do lado fiscal. A nota atual é "Ba2", dois patamares abaixo do grau de investimento.

Alguns operadores do mercado também informaram que a demanda pelo dólar é sustentada pelo conteúdo dos cerca de 80 pedidos de abertura de inquérito contra políticos e ministros feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal, baseados nas delações de ex-executivos da Odebrecht na operação Lava Jato. Ontem, a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 3,1155, com desvalorização de 0,89% na semana.

Internamente, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) informou que os preços do café robusta se mostraram mais firmes no Brasil, sendo sustentados pela demanda relativamente aquecida de indústrias. Por outro lado, as cotações do arábica permaneceram praticamente estáveis em meio à ausência de negócios. Os indicadores calculados pela entidade para as variedades arábica e conilon foram cotados, ontem, a R$ 488,43/saca e a R$ 450,96/saca, com variações de -0,68% e 1,68%, respectivamente, ante fechamento da sexta-feira anterior.

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Data de Publicação: 17/03/2017 às 19:25hs
Fonte: Assessoria de Comunicação CNC
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