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Alta do custo da eletricidade faz crescer interesse por energia solar fotovoltaica

Em agosto, a conta de luz teve um novo aumento com o acionamento da bandeira vermelha pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). E de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a energia elétrica, um dos itens que mais pesa na planilha de custo dos produtores, deve aumentar ainda mais em 2017. Por outro lado, o custo da energia solar vem despencando e hoje custa 250 vezes menos que há quatro décadas, conforme dados da Bloomberg New Energy Finance.

Segundo especialistas, a tendência é que a energia solar seja uma das principais fontes de energia do futuro. Diferente do combustível fóssil (que é um recurso finito), os painéis são uma tecnologia cuja eficiência aumenta e o valor diminui com o passar do tempo. No Brasil, conforme a Aneel, apenas 11 mil propriedades têm o sistema instalado. No agronegócio, a tecnologia vem sendo bem recebida pela agricultura familiar, em função da linha de crédito incentivada pelo Pronaf Eco, Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar direcionado para financiamento de energia renovável e sustentabilidade ambiental.

Para atender esta demanda, o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) vem cadastrando e credenciando empresas que fornecem sistema de energia solar fotovoltaica. Até o momento apenas cinco estão cadastradas no sistema do MDA, a única da região Sul do país é a Turbo Ferro, de Tubarão (SC), que fornece o Solar Inove para o Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. “Somos uma empresa tradicionalmente do setor agrícola, hoje 95% dos nossos clientes são produtores. Para ser cadastrado pelo MDA tivemos que atender diversas exigências e certificações, por isso, temos um produto diferenciado que pode ser financiado em até 10 anos com juros de 2,5% ao ano”, afirma Fernando Ronchi, diretor da empresa.

Com cerca 90% do seu marcado centrado no Sul do país, a empresa catarinense investe forte no mercado fumageiro. “Durante muitos anos fornecemos estufas metálicas e secadores, especialmente para fumageiras do Rio Grande do Sul e Santa Catarina e essa parceria continua com o sistema fotovoltaico através do Solar Inove.”, diz Ronchi. Em municípios como Santa Terezinha, no Planalto catarinense, onde a cidade com 8.761 habitantes conta com mais de dois mil produtores de fumo, a preocupação com a falta de energia elétrica é muito grande. Durante o período de colheita, que vai de novembro a meados de fevereiro, a sobrecarga de energia é tão expressiva que a empresa fornecedora de energia é obrigada a fornecer geradores para garantir a energia na região. Para tentar resolver o problema, os produtores locais estão aderindo ao sistema fotovoltaico. “Eu fui um dos primeiros na região, mas agora tem mais gente instalando. A nossa região tem muita sobrecarga em época de colheita de fumo e o consumo é muito alto neste período. É uma forma da gente fazer a nossa parte.”, afirma Genésio Ignaczuk, que adquiriu o sistema há um ano.

O produtor investiu R$ 42 mil na contratação de 700 quilowatts por mês para pagar em até dez anos através do PronafEco. As placas que compõem o painel fotovoltaico foram instaladas em cima do galpão onde o produtor seca, em média, 15 mil quilos de fumo. “Analisando a longo prazo com um financiamento de dez anos pra pagar se torna muito viável, principalmente quando a gente vê a conta da luz passar de R$ 180 para R$ 1,2 mil em época de colheita”, diz Ignaczuk.

Mas, não são apenas os fumicultores que vem aproveitando os benefícios deste sistema de energia renovável. A suinocultura e a avicultura também sofrem muito com os custos e a falta de energia em sua atividade a exemplo do que acontece em outras atividades no campo ou no meio urbano. O crescimento do setor é tão sólido, que a Bloomberg New Energy Finance projeta que até 2040, a matriz elétrica brasileira passe a contar com 32% de energia solar fotovoltaica, superando a fonte hidroelétrica. “Além de uma fonte de energia renovável é um bom negócio para todos os envolvidos na cadeia. Por isso, também estamos em busca não apenas de novos clientes, mas também de parceiros interessados em desenvolver a energia solar no Sul do Brasil”, diz Ronchi. A utilização do sistema ainda engatinha no mercado brasileiro, mas já aparece como uma grande alternativa para viabilizar a atividade no campo. “É uma tecnologia que se paga em quatro ou cinco anos. Em alguns lugares esse tempo pode ser menor devido ao valor do quilowatt.
O Rio Grande do Sul, por exemplo, tem o valor mais caro da região Sul”, salienta o empresário.

De modo geral no Brasil, o custo total do sistema fotovoltaico é, em média, a metade do valor da energia elétrica convencional. Por exemplo, um sistema de energia solar fotovoltaico de 3.12 KWp tem um investimento de R$ 21 mil, que pode ser pago em até dez anos com juros de 2,5% ao ano. Em 25 anos (que é o tempo de garantia das placas), a energia gerada será de aproximadamente 118.800 Kwh. Se dividirmos o valor do investimento pela energia gerada chegaremos ao preço de R$ 0,177/kWh ao longo desse período. Para se ter uma ideia, o valor do KW no Rio Grande do Sul, por exemplo, a média é de R$ 0,60. “Se formos literais, podemos concluir que a energia solar na verdade é gratuita. Nós pagamos é pelo sistema que transforma a energia solar em energia elétrica”, afirma Ronchi.

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Data de Publicação: 23/08/2017 às 12:40hs
Fonte: Assessoria de Comunicação da TurboFerro
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