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Açafrão: um tempero de dar gosto

Originário da Índia, o açafrão, tempero de cor dourada muito utilizado nas culinárias da América Latina, Europa e Oriente Médio, ganhou espaço no Brasil por meio da agricultura familiar. No Norte do estado de Goiás, mais de 200 agricultores estão ligados à cadeia de produção dos municípios de Mara Rosa, Estrela do Norte, Formoso e Amaralina. A produção da especiaria chega a 5 mil toneladas por ano e vem ganhando força por meio de ações para agregar valor ao produto. Uma das conquistas veio no ano passado. A microrregião recebeu o selo de Indicação Geográfica (IG), tornando-a uma referência da cultura no país. A safra deste ano é a primeira que vai ser beneficiada com as vantagens do selo.

O presidente da Cooperativa dos Produtores de Açafrão de Mara Rosa (Cooperaçafrão), Arlindo Simão Vaz, de 53 anos, explica que o cultivo de açafrão existe na região desde a década de 1960. Na época de colheita, segundo Arlindo, cerca de 900 pessoas chegam à região para trabalhar nas lavouras. “O açafrão não é a maior renda do município, mas é a nossa identidade. Aquece a economia em torno de R$5 a R$10 milhões, por ano. A produção é vendida para indústrias de condimentos do Sul e Sudeste do país, sendo São Paulo e Paraná os principais estados compradores. Além disso, nós também atendemos ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae)”, conta.

O açafrão demora cerca de 18 meses para chegar ao período certo de maturação. É plantado, geralmente, nas duas estações de chuva do ano, para ter maior produtividade e uma cor mais forte. Em Mara Rosa, a planta é livre de doenças e pragas; e não são utilizados agroquímicos na produção. O período certo da colheita é facilmente reconhecido pelos agricultores com um sinal: as folhas se desfazem para economizar água. Depois disso, a raiz é cozida, para ficar livre de qualquer contaminação, e processada para a venda.

Pela qualidade do produto na região, a Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater-GO), em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e com outros órgãos, investiram em um projeto para promover o desenvolvimento da cadeia de açafrão e conseguiram o selo do IG para a região.

O supervisor de Organização Rural da Emater, José Araújo de Oliveira, de 65 anos, explica que a identificação é concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a produtos que tenham notoriedade expressiva em uma determinada região. “Funciona como um registro da marca dado a uma comunidade organizada, como a Cooperaçafrão em Mara Rosa, e identifica a procedência do produto cultivado. São alimentos que trazem uma história, um reconhecimento. A partir de agora, ninguém mais pode colocar o nome de outro açafrão como o açafrão de Mara Rosa. Ele pertence apenas àquela comunidade”, relata.

As vantagens de ter o selo são muitas. Em especial, a rastreabilidade, que possibilita algo essencial no mercado: a fidelidade dos clientes. “Todo produto tem que ser competitivo e ter valor agregado. Esse selo tem uma rastreabilidade que fala sobre a escolha da área plantada, a maneira de plantio, a forma de processar a embalagem, ou seja, fica tudo descrito. Isso torna o produto algo genuíno. As indústrias grandes preferem produtos com certificação e, aos poucos, o consumidor também”, comenta Oliveira.

Para o agricultor familiar, Wandim Severino Ferreira, de 54 anos, que administra financeiramente a cooperativa e trabalha ao lado dos três filhos na lavoura de açafrão, o cultivo da especiaria é uma chance de ter melhor qualidade de vida. “Tudo o que eu tenho é tirado do açafrão. Meu salário, minhas convivências, e toda a minha família está envolvida. Ter o selo é muito importante, principalmente, pela possibilidade de melhorar o que a gente já tem”, afirma Ferreira.

Pesquisas

Para fortalecer ainda mais a cultura e dar mais competitividade, a Emater-GO desenvolve ações na área de pesquisa. “Vamos cuidar para que exista identificação das variedades de açafrão, dos espaçamentos, densidades, resposta à adubação, e vamos fazer experimentos em algumas estações. Além disso, dois técnicos vão ficar em Mara Rosa. Um vai apoiar o experimento de pesquisa, e outro vai trabalhar com os agricultores para implementar novas tecnologias”, fala Oliveira.

O açafrão de Mara Rosa já foi vendido para o Estado de Israel, no ano passado. Em 2017, a cooperativa pretende fazer negociações para ampliar esse mercado a outros estados e países. “Estou nessa luta da cooperativa porque acredito que a agricultura familiar pode ter uma rentabilidade grande com geração de emprego e renda. Também espero que no cenário nacional ela seja reconhecida”, justifica o presidente da cooperativa.

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Data de Publicação: 05/07/2017 às 12:40hs
Fonte: Assessoria de Comunicação Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
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