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Ele também destacou que a estimativa da produção de grãos do estado para 2018 é de 7,9 milhões de toneladas.

O Bahia Econômica conversou com exclusividade com Miranda sobre os desafios que enfrenta o agronegócio no estado e a perspectiva para 2018.

Veja abaixo a entrevista completa:

Bahia Econômica: Quais os maiores desafios para o produtor baiano?

Humberto Miranda: Alguns dos desafios enfrentados pelo produtor rural é a insegurança no campo, o direito de posse nos casos de invasões de terra, a falta de seguro rural adequado à produção, a falta de infraestrutura, logística de escoamento da produção e o excesso de burocracia na liberação do crédito. Somos extremamente eficientes da porteira para dentro. Produzimos cada vez mais, produtos de melhor qualidade, com preços competitivos e respeitando a sustentabilidade. No entanto essa eficiência quase que se perde no percurso de saída dos nossos produtos para os portos, para chegar aos centros consumidores. Precisamos de uma estrutura logística eficiente para potencializar, não só o setor agropecuário, mas todos os setores da economia, fazendo-se necessário criar condições que possam estimular os investimentos públicos e particulares.

Há seguros que cobrem perdas associadas à intempéries climáticas?

Precisamos ter um seguro agrícola à altura das necessidades do setor, eficiente, como já acontece nos Estados Unidos e em países da Europa, evitando assim a perda de recursos para cobrir possíveis prejuízos decorrentes de problemas climáticos, por exemplo.

E necessidade de modernização do sistema de financiamento da safra também é uma demanda urgente, cujos fundamentos remontam à década de 70, quando agropecuária era completamente diferente de hoje, e o crédito oferecido era quase que exclusivamente pelos bancos oficiais. A tendência será sempre que bancos particulares, e principalmente as cooperativas de crédito, ocupem as novas parcelas de financiamento ao segmento agropecuário, não só por ser hoje a atividade que está dando os melhores resultados no país, mas principalmente por ser uma tendência nos países democráticos de agropecuária moderna. É fundamental ressaltar que iremos continuar trabalhando intensamente, ao lado dos produtores rurais, para que o setor agro continue produzindo alimentos com qualidade e preços baixos para abastecer a mesa do baiano e, consequentemente, ajudando na queda da inflação e do valor da cesta básica.

Em 2017 tivemos a maior safra da história, mas as primeiras estimativas mostraram que haveria uma queda. Qual é a perspectiva para 2018?

Em 2016, foram registradas retrações durante o ano em decorrência da seca no estado, que determinaram a queda significativa do setor, impactando fortemente no conjunto da atividade econômica. Em 2017, o cenário foi completamente diferente, com importante recuperação do setor agropecuário. As lavouras que no ano anterior apresentaram fortes quedas conseguiram se reerguer, demonstrando crescimento (soja; 59,5%, algodão 40%; milho 37%).

Em 2018, levando em consideração as condições climáticas favoráveis, a previsão é de continuidade do bom desempenho das lavouras. A área plantada, com soja por exemplo, apresentou aumento de 1,4% e a plantação de algodão está ocupando uma área 34,8% maior que na safra 2017. Em termos de produção, para o milho e o algodão a expectativa é de aumento de 4,6% e 24,3%, respectivamente.

Qual a previsão da produção de grãos?

No Brasil, a produção estimada para a safra 2017/18 indica um volume de 227,95 milhões de toneladas. Esse número é 4,1% menor que na última safra, o que não significa que seja um cenário negativo. A redução de produção é, principalmente, por causa da última safra ter sido atípica, alcançando números recordes. Na Bahia, a Conab estima uma produção 7,9 milhões de toneladas, o que representa estabilidade em comparação às safras anteriores.

Para o algodão, a área para a safra 2017/18 deve chegar 271,8 mil hectares. A produtividade esperada está prevista em 3.957 Kg/ha e a produção pode atingir 1,07 milhões de toneladas, o que será um aumento de 24,3% em relação à safra de 2017.

Na produção de feijão a estimativa é de redução de 2,6% na área plantada e também de produtividades. Essas duas variáveis juntas contribuirão para uma queda de 7,9%, produzindo assim 276,9 mil toneladas.

Para o milho a estimativa é boa. Análises mostram que a produção pode crescer 7% nesta safra 2018. Esse resultado é fruto de um aumento esperado na produtividade no mesmo patamar, visto que a área plantada não dever ter alteração em relação à safra 2017.

As primeiras análises para a soja, carro chefe na produção de grãos no estado, mostram redução de 8% na quantidade produzida nesta nova safra. Essa redução deve-se, principalmente, à grande produtividade desta cultura na safra 2017. Na safra 2018 espera-se que a produtividade volte aos patamares de antes.

Que condicionantes podem prejudicar o desempenho?

Diante da realidade dos últimos anos, o clima é o principal condicionante para o desempenho da agropecuária baiana. A soja produzida na região oeste do estado, por exemplo, quase que em sua totalidade é de sequeiro (depende das chuvas). Até o momento o clima tem contribuído. A safra está no meio do ciclo e no período de plantio ocorreu tudo bem.

Outra variável importante é o câmbio. Estamos em ano de eleições, fato que gera uma certa instabilidade no mercado financeiro, tornando o câmbio mais volátil. Isso pode gerar um cenário de incertezas e preocupações, principalmente quando tratamos de produtos que têm grande demanda internacional, como soja, algodão, produtos florestais e etc.

Ainda podemos falar da questão do crédito disponibilizado para custeio e investimento. Os produtores ainda lutam para recuperar os prejuízos deixados pela seca - muitos deles endividados com os bancos - impossibilitando assim o acesso a novo crédito, o que dificulta ainda mais o desenvolvimento da atividade.

Sobre a produção leiteira do Estado, como está o projeto da Faeb para impulsionar a produção? A Bahia já é autossuficiente na produção?

Não. Apesar de toda a potencialidade do estado, os diversos biomas e as características favoráveis para a produção, ainda faltam incentivos, recursos e uma política pública para o desenvolvimento dessa atividade no estado. Em 2017, por exemplo, foi importado 6,5 bilhões de litros, e não houve exportação do produto, o que evidencia – claramente - que a produção do estado ainda não é suficiente para abastecer a demanda interna.

Quais os desafios que a pecuária leiteira está enfrentando?

O produtor já está enfrentando o aumento do custo de produção, instabilidade de preços e a recuperação de pastagem, reflexo da seca que atingiu todas as regiões do estado, sem a disponibilidade de crédito específico para essa atividade. Outro fator que exigirá atenção é o mercado externo. Os Estados Unidos e a União Europeia estão com estoques elevados, o que pode contribuir para redução dos preços internacionais e tornar a importação do produto mais atrativa para as indústrias, afetando diretamente o produtor baiano. Caso ocorra uma redução de preço para patamares abaixo de US$ 3 mil a tonelada de leite em pó, com um cenário de manutenção da cotação atual do dólar, é bem provável que as importações aumentem, pressionando o preço pago ao produtor para baixo.

No ano passado, a importação baiana de leite fluído aumentou 380% e a de leite em pó aumentou 142%. Esses números podem aumentar se for confirmado a redução no preço internacional.

Na área da capacitação o que a Faeb está programando para 2018?

O Sistema FAEB, através do SENAR BAHIA e com o apoio dos nossos Sindicatos Rurais espalhados pelo estado, realiza capacitações para o produtor e trabalhador rural em todas as regiões do Estado.

O Senar Bahia capacita cerca de 50 mil pessoas por ano no meio rural, com foco na formação profissional e promoção social, de forma completamente gratuita. Através de programas como o Pro-Senar, por exemplo, voltado para cadeias produtivas estratégicas e potenciais da Bahia - café, cacau, mandioca, graviola, banana, caprino de leite e de corte, bovino de leite e de corte e apicultura -, além da formação profissional, os produtores rurais também recebem assistência técnica e gerencial. É imprescindível provocar a mudança comportamental do homem do campo, fazendo com que ele compreenda a importância de uma gestão eficiente e do uso da tecnologia para otimização da produção. Por isso ferramentas de gestão e empreendedorismo são tão importantes e estão presentes em nossas ações, como o programa Negócio Certo Rural. O produtor precisa ter uma visão mais empresarial do seu negócio rural.

E na área da sustentabilidade, quais programas a entidade vem desenvolvendo?

O Programa Viver Bem no Semiárido também vem preparando o produtor, através de ações contínuas e estruturantes, para conviver de forma sustentável, com aumento de produtividade e com rentabilidade no semiárido, mesmo em períodos de seca. Ainda temos programas voltados para as crianças, jovens e adultos do campo. As crianças aprendem, através do Programa Despertar, uma nova consciência ambiental. No Programa Jovem Aprendiz, os jovens recebem formação profissional e ampliam as chances de ingresso no mercado de trabalho e de permanecer no campo. Uma grande novidade também são os cursos de Técnico em Agronegócio, com duração de dois anos, reconhecido pelo MEC e pelo CREA, que oferece formação técnica em um segmento que cresce cada vez mais e demanda mão-de-obra especializada. Estamos formando a nossa primeira turma em fevereiro, em Luís Eduardo Magalhães, oeste da Bahia, e até o dia 9 de fevereiro estão abertas as inscrições para novos candidatos. O curso, que é totalmente gratuito, é mais uma ação do Senar para profissionalizar a mão de obra rural.

Além disso, através dos programas de Saúde do Homem e da Mulher, o SENAR BAHIA leva mutirões da saúde para todo o Estado, oferecendo para homens e mulheres do meio rural, serviços como testes rápidos, exames de Papanicolau e PSA, vacinas, consultas médicas, palestras, dentre outros. Essas são apenas algumas ações e programas do SENAR, que realiza um trabalho com capilaridade em mais de 300 municípios da Bahia.

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