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OPINIÃO: Novas regras no mercado de alimentos pedem revisão das estratégias empresariais

As preferências dos consumidores e a forma como as empresas produzem, processam e comercializam os alimentos vem sofrendo influência de cinco megatendências mundiais: mudanças demográficas, urbanização acelerada, deslocamento do poder econômico global, avanços tecnológicos e mudanças climáticas e escassez de recursos. Entendê-las é imperativo para compreender o consumidor e alcançar bons resultados nos negócios.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial deve atingir 9,7 bilhões, em 2050, e a parcela acima de 60 anos deve aumentar dos 10% em 2000 para cerca de 21% em 2050. E as projeções indicam uma expansão sem precedentes da classe média: 4,9 bilhões de pessoas até 2030, um aumento de 172,2% em relação a 2009, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O incremento da população idosa deve gerar maior demanda por alimentos mais saudáveis, funcionais e em porções menores. O crescimento da classe média eleva a demanda por produtos de maior valor agregado e por proteínas de origem animal.

O aumento da população exercerá grande pressão sobre a infraestrutura e o tecido social das cidades. A ONU estima que, até 2050, a população urbana mundial aumentará em 2,5 bilhões de pessoas em relação a 2014 (54% do total), totalizando 6,3 bilhões (70% do total). A urbanização traz maior complexidade para a logística dos alimentos e para o gerenciamento de resíduos e desperdícios. As fazendas urbanas, hortas coletivas e o conceito de produção vertical vêm avançando como alternativas à produção tradicional, proporcionando alimentos frescos e cultivados localmente.

Neste cenário de rápido crescimento da classe média e urbanização acelerada, as economias emergentes deverão ganhar mais força. Segundo as estimativas da PwC, em 2030, o grupo de economias emergentes denominado E7 (Índia, China, Indonésia, Brasil, México, Rússia e Turquia) será economicamente mais poderoso que o G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá). Mais alimento será deslocado para essas regiões, e, ao mesmo tempo, vários países investirão na própria produção de alimentos. Além disso, é esperado um aumento das regulamentações e legislações permeando o comércio internacional de alimentos.

Outro fator de impacto é a consciência dos consumidores quanto às mudanças climáticas e à escassez de recursos. Uma pesquisa desenvolvida pela BBMG, GlobeScan e SustainAbility aponta que 65% dos consumidores do Brasil, China, Alemanha, Índia, Reino Unido e Estados Unidos aceitariam pagar mais por itens produzidos de forma ambientalmente e socialmente responsável.

A segurança dos alimentos também gera preocupação para os consumidores. Os avanços tecnológicos na era das Agtechs e da agricultura da informação podem garantir maior transparência, integridade e confiança. A rastreabilidade, área em que o blockchain tem grande espaço, vem se tornando uma exigência após escândalos como o caso da carne de cavalo na Europa, da melanina nas fórmulas infantis na China ou da carne fraca no Brasil.

O futuro da produção de alimentos passa por grandes desafios e oferece grandes oportunidades. A definição de estratégias que contemplem esse novo ambiente dinâmico de mudanças rápidas, o alinhamento com o novo consumidor “urbano”, mais sofisticado e conectado, a clara definição de um posicionamento de mercado, seja ele de nicho, commodity, global ou local, são algumas das dimensões essenciais para que as empresas que atuam na cadeia de alimentos tenham os resultados positivos tão desejados.

Adriano Machado é sócio da PwC Brasil e responsável pelo agronegócio na região Sul
Daniela Coco é gerente sênior da PwC Brasil, especialista em Agribusiness


Data de Publicação: 11/04/2018 às 16:40hs
Fonte: Portal Paraná Cooperativo
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